Laudo de Arafat não mostra veneno, diz sobrinho

Os exames médicos realizados no corpo do falecido líder palestino Yasser Arafat não revelaram a presença de veneno, disse nesta segunda-feira o sobrinho dele, Nasser al-Kidwa, que recebeu, em Paris, o relatório dos médicos do hospital militar de Percy, onde Arafat morreu no último dia 11, após ficar internado por 14 dias. Segundo Al-Kidwa, o laudo não aponta a causa da morte de Arafat, mas o sobrinho do líder palestino acusou, em sua entrevista, o governo de Israel, que manteve Arafat confinado em um complexo na Cisjordânia. O confinamento, segundo Al-Kidwa, teria influenciado na deterioração da saúde de Arafat.Al-Kidwa disse que o dossiê, composto por 558 páginas, mais chapas de raio-X, será "deixado à disposição da Autoridade Palestina", que lançou um inquérito para apurar a causa da morte de Arafat. A falta de informações sólidas a respeito deixa um terreno féril para especulações de assassinato por envenenamento, a despeito de desmentidos oficiais.O sobrinho disse que exames toxicológicos foram feitos e "nenhum veneno conhecido pelos médicos foi encontrado". Al-Kidwa evitou descartar de vez a hipótese de envenenamento. "Não temos prova", afirmou.A viúva de Arafaf, Suha, que era contrária à entrega do relatório ao sobrinho, também recebeu uma cópia da autópsia na semana passada. Os advogados dela dizem que apenas a viúva tem direitos sobre Arafat e criticaram o sobrinho. "Suha Arafat entende as razões diplomáticas e históricas que existem para entregar o informe, mas a razão de Estado não pode se sobrepor ao Estado de Direito", disseram.

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