Jennifer Reynolds/The Galveston County Daily News via AP
Jennifer Reynolds/The Galveston County Daily News via AP

Laura se torna furacão de categoria 4 e autoridades falam em 'inundações catastróficas' nos EUA

No gráfico de previsão, Laura se aproximará da região do Alto Texas e da costa sudoeste da Louisiana, onde poderá tocar terra na noite desta quarta-feira e depois se deslocar para o interior

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2020 | 18h40

MIAMI - O furacão Laura rapidamente subiu para uma categoria mais alta, chegando ao número 4 (em uma escala que vai até 5) nesta quarta-feira, 26, com ventos máximos sustentados de 220 quilômetros por hora, antes de tocar a terra na costa dos Estados americanos do  Texas e da Louisiana, o que o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC) prevê que aconteça na noite de hoje.

Às 14h (local, 15h de Brasília), o olho de Laura estava localizado a 320 quilômetros ao sul-sudeste de Lake Charles, na Louisiana, e a mesma distância ao sul-sudeste de Port Arthur, no Texas, de acordo com o NHC.

"Laura se tornou um furacão de categoria 4 extremamente perigoso, com tempestades catastróficas, ventos extremos e inundações repentinas na costa noroeste do Golfo (do México) esta noite", advertiu o observatório. "Resta pouco tempo para proteger a vida e a propriedade", acrescenta o boletim.

O furacão está se deslocando para noroeste e pelo Golfo do México a 26 km/h. Espera-se uma volta gradual norte-noroeste e norte ao longo do dia.

No gráfico de previsão, Laura se aproximará da região do Alto Texas e da costa sudoeste da Louisiana, onde poderá tocar terra na noite de hoje e depois se deslocar para o interior. Espera-se que o centro do furacão se mude para o noroeste da Louisiana amanhã, percorra o Arkansas na noite da quinta e depois atinja o Vale do Mississippi na sexta-feira.

Relatórios de um avião caça-furacões da Força Aérea dos Estados Unidos indicam que os ventos máximos sustentados aumentaram para cerca de 220 km/h, com rajadas mais fortes. Entretanto, espera-se que a força permaneça até que  toque a terra, e a partir de então deverá haver um rápido enfraquecimento, segundo o NHC.

Os especialistas estão comparando Laura com Harvey, um furacão de categoria 4 que causou inundações catastróficas e produziu US$ 125 bilhões em prejuízos no Texas e na Louisiana nessa mesma época do ano em 2017.

Laura é o primeiro grande furacão, de categoria 3 ou superior, nesta temporada no Atlântico. A previsão era mesmo a de bastantes atividades, com até 25 tempestades nomeadas, das quais 13 já se formaram. Dessas tempestades, até 11 poderiam virar furacões, e 4 já o fizeram: Hanna, Isaias, Marco e Laura. EFE

Fugir da rota do furacão

O governador do Texas, Greg Abbott, pediu aos residentes que deixassem suas casas. "Eles têm apenas mais algumas horas para escapar dos danos", disse ao Weather Channel.

"Esta é uma tempestade muito perigosa, mais forte do que a maioria que já cruzou" as costas do Estado, acrescentou, insistindo para que a população faça "tudo possível para sair do caminho" de Laura.

O presidente Donald Trump pediu aos moradores das áreas afetadas que "ouçam as autoridades locais". "Laura é um furacão muito perigoso e está se intensificando rapidamente", publicou Trump no Twitter. "Meu governo continua colaborando totalmente com os gestores de emergência estaduais e locais".

Jimmy Ray estava entre os que receberam ordem para deixar Lake Charles. A princípio "íamos tentar aguentar dentro de casa, mas vimos que o furacão ia ser muito forte", disse.

Outra moradora que teve de deixar a cidade, Patricia Como, contou que seus irmãos, primos e outros membros da família decidiram ficar, mas ela não queria correr o risco. "Não vou brincar com Deus", disse.

Craig Brown, o prefeito da Ilha de Galveston, no Texas, que sofreu o furacão mais mortal da história dos EUA em 1900 com milhares de vítimas, disse que as autoridades estão "monitorando de perto" a situação.

"Tivemos uma boa cooperação de nossos residentes no esvaziamento da cidade", disse ele. "Se eles quiserem ficar, nós permitiremos", mas "se eles ficarem, é possível que não tenham nenhum serviço de emergência disponível", esclareceu.

Evitar contágios

Angela Jouett, que lidera a operação de retirada em Lake Charles, informou que novos protocolos foram implementados devido à pandemia do coronavírus. "As pessoas que entram (nos centros de desocupação) usam desinfetante nas mãos", passam por "controles de temperatura" e mantêm entre elas uma distância física de dois metros.

O governador Abbott - cujo Estado sofre uma onda significativa de infecções por covid-19 - pediu àqueles que podiam pagar por isso que se refugiassem em hotéis e motéis "para se isolarem".

Em New Orleans, devastada em 2005 pelo furacão Katrina, de categoria 5, o histórico Bairro Francês estava sem turistas, e sacos de areia foram empilhados diante de portas e janelas. Os edifícios de arquitetura colonial foram protegidos com chapas de madeira.

"Não estou preocupado com a água que entra com a tempestade, mas sim com a chuva e as bombas sem funcionar. É isso que vai causar as enchentes", disse Robert Dunalp, empresário que não se esquece do Katrina, que deixou mil mortos e danos enormes.

Laura passou na segunda-feira como tempestade tropical por Cuba, onde provocou fortes chuvas e alguns danos. No fim de semana, a tempestade provocou 25 mortes no Haiti e na República Dominicana./EFE e AFP 

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