Lavagna, ex-ministro da Economia, apresenta projeto de governo para Argentina

O ex-ministro da Economia, Roberto Lavagna, anunciou seu "projeto nacional de país", que consiste no programa de governo de sua eventual candidatura presidencial. Lavagna apresentou suas propostas de governo em um evento com toda pompa na elegante Sociedade Rural. No entanto, não anunciou sua esperada candidatura às eleições presidenciais de 2007.Lavagna, segundo diversos analistas, seria a única opção da oposição com relativas chances para enfrentar o presidente Néstor Kirchner nas eleições de 2007, que ambiciona a reeleição. No lançamento de seu plano de governo, Lavagna definiu-se como "centro-progressista".O ex-ministro da Economia está sendo flertado por vários grupos políticos, entre eles o setor da União Cívica Radical (UCR) liderado pelo ex-presidente Raúl Alfonsín, que governou o país entre 1983 e 1989. Lavagna também conta com o apoio de um pequeno mas ativo setor do próprio partido de Kirchner, o Justicialista (Peronista). Esta ala dissidente é liderada pelo ex-presidente provisório Eduardo Duhalde, que ficou no poder entre 2002 e 2003, ex-padrinho político de Kirchner e seu atual rival dentro do Peronismo.Lavagna tornou-se ministro de Duhalde a partir de março de 2002, quando o governo estava mergulhado na pior crise econômica, social e financeira do país. O ministro conseguiu recuperar a confiabilidade dos argentinos no próprio país, reativou a economia e obteve um substancial superávit fiscal. Posteriormente, Duhalde "repassou" Lavagna para Kirchner. Desta forma, Lavagna foi o único ministro que Kirchner "herdou". Desde o início, a relação dos dois foi tensa. Em novembro de 2005, Lavagna deixou o gabinete de Kirchner, após uma série de atritos sobre o direcionamento da economia. Além disso, Kirchner não apreciava a autonomia que Lavagna tinha.Programa de governoNo lançamento de seu programa de governo, perante 1.500 pessoas, Lavagna afirmou que está recebendo pressões para definir sua candidatura: "essas pessoas pensam em candidaturas antes de um projeto". Lavagna também destacou que o governo Kirchner o prefere "em casa ou fora do país".O plano de Lavagna pretende eliminar a indigência e reduzir a pobreza em cinco anos."Mais educação, cultura, ciência e tecnologia. Mais justiça social e melhor distribuição da receita; mais e melhor trabalho e formação profissional; mais segurança pública, e mais e melhores instituições privadas e mistas", aponta o programa.Lavagna soltou indiretas contra Kirchner quando afirmou que "a falta de respeito pelas instituições começa a colocar em risco os enormes sucessos econômicos alcançados com o sacrifício da maioria dos argentinos".O ex-ministro sustentou que não quer uma Argentina que fique "nas mãos de mercadores de direita que acreditam que o único valor é o da carteira, nem os comissários políticos da esquerda que se consideram iluminados e misturam o autoritarismo com a carteira".Em tom de desafio, disparou: "a Argentina não precisa de fanáticos nem iluminados, mas sim de homens capazes e democráticos, com capacidade de gestão".ChancesA candidatura de Lavagna é vista com agrado pelos empresários. Mas, eles admitem que o ex-ministro poderia ser "destroçado" pelo Peronismo. Lavagna conta, entre seus trunfos, com a boa fama por ter sido o autor da recuperação econômica e a imagem de "honesto".Entretanto, entre suas desvantagens, o ex-ministro padece a falta de uma estrutura partidária de peso que o respalde, capaz de enfrentar o mega-aparato do Partido Justicialista (Peronista) de Kirchner. A alternativa seria aceitar o convite feito pelo setor da UCR de Alfonsón.Para complicar, o ministro não teria respaldo eleitoral substancial fora das fronteiras da cidade de Buenos Aires, onde está a maior concentração do eleitorado "independente" da Argentina. Nos municípios da Grande Buenos Aires e no interior do país, o carisma cinzento de Lavagna não arrecadaria votos.As pesquisas mostram que Lavagna poderia conseguir ao redor de 10% dos votos. Analistas sustentam que ele poderia subir nas pesquisas, mas, que no melhor dos casos conseguiria 30% dos votos. Essa proporção não lhe permitiria chegar à presidência em 2007. Mas, seria um "trampolim" conveniente para ambicionar "el sillón de Rivadavia" - como é chamada a cadeira presidencial - em 2011.

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