Lavrov pede que EUA abandonem sistema antimísseis

'Melhor será tranformar projeto em algo de fato coletivo', disse o ministro de Relações Exteriores da Rússia

AE-AP,

27 de março de 2008 | 16h51

O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, manteve uma postura inflexível diante dos planos dos Estados Unidos de construírem um sistema antimísseis na Europa. Para Lavrov, o melhor seria os EUA abandonarem o projeto. Os comentários de Lavrov, feitos nesta quinta-feira, 27, vêm à tona poucos dias antes de uma visita do presidente norte-americano, George W. Bush, ao país. Segundo o chanceler, a Rússia segue estudando os documentos entregues por uma comitiva norte-americana que visitou recentemente Moscou. A intenção dos papéis é sanar as dúvidas russas em relação ao escudo antimísseis que os EUA pretendem instalar na Polônia e na República Checa. "Nós estamos convencidos de que o melhor modo de aplacar as preocupações da Rússia será abandonar tais planos e transformá-los em um projeto de fato coletivo", disse Lavrov. Segundo a proposta entregue recentemente pelos EUA, a Rússia poderia monitorar de perto o projeto. O presidente russo, Vladimir Putin, rejeita os argumentos segundo os quais o sistema antimísseis é importante para evitar uma eventual ameaça do Irã. Segundo Putin, os EUA pretendem erodir o poder de dissuasão nuclear russo. Anteriormente, Putin sugeriu que se utilizasse um radar já instalado no Azerbaijão. Os EUA ficaram de estudar a proposta, mas disseram que isso não substituiria as instalações na Polônia e na República Checa. Bush pretende se encontrar com Putin em Sochi, na costa do Mar Negro, em 6 de abril. O presidente norte-americano seguirá para a Rússia depois de um encontro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), entre 2 e 4 de abril. Putin deve participar de parte do encontro da Otan. O objetivo da reunião é analisar o pedido de ingresso da Ucrânia e da Geórgia. A Rússia se opõe à idéia dos dois países fazerem parte da aliança. Na Otan, há divisão sobre o tema. Os Estados Unidos, o Canadá e alguns países europeus apóiam a demanda da Ucrânia e da Geórgia. Já a Alemanha e nações do leste europeu se opõem, afirmando que isso minariam os esforços para melhorar as relações com a Rússia.

Tudo o que sabemos sobre:
RússiaEUAOtan

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.