Lavrov quer Brasil na conferência sobre Síria

Chanceler russo diz, no Rio, que o País teria muito a somar em termos de objetividade, mas lembra que convocação da reunião é complexa

FELIPE WERNECK, RIO, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2013 | 02h07

O chanceler russo, Serguei Lavrov, disse ontem, após encontro no Rio de Janeiro com o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Antonio Patriota, que vai sondar a possibilidade de o Brasil participar da conferência de paz entre o governo sírio e os rebeldes, chamada de Genebra 2, que poderá ser convocada pela ONU.

Ainda não há data definida, mas a previsão é que o encontro ocorra em julho, com a participação de membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, entre eles a Rússia. Mas Lavrov ressaltou que a situação atual para a convocação da conferência é "complexa".

O Brasil defende uma solução política para o conflito na Síria. A Rússia é a principal nação aliada de Assad e continua a vender armas para a Síria. A presença brasileira na reunião ainda depende de um convite da ONU.

"Vamos sondar a participação do Brasil, mas precisamos antes concordar sobre outras questões. O Brasil só teria a somar em termos de objetividade, mas ainda não foi solucionada a principal questão relacionada aos membros internacionais. Insistimos em convidar todos os países da região que influenciam na questão", disse Lavrov, que citou Irã e Egito e afirmou que, sem o Egito, a representação do mundo árabe seria incompleta. Os Estados Unidos são contrários. "Nossos parceiros infelizmente são contra essa participação. Mas são inconsistentes os argumentos de que o Irã não colabora", afirmou.

Para o russo, o ideal é que a iniciativa resulte na criação de um órgão transitório de governo, com base em um acordo entre o atual líder e a oposição.

Outro ponto que pode travar as negociações é a forma como se daria a participação da oposição síria, em razão da divergência entre diferentes grupos.

"Ainda estão em curso alguns entendimentos com vistas a determinar de que maneira ela (a oposição) se fará representar. O Brasil considera que valeria a pena examinar a possibilidade de incluir outros países além dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, como as nações vizinhas, que têm demonstrado interesse na questão e têm capacidade para contribuir para que se chegue a um consenso", disse Patriota.

Seu colega russo também comentou a relação comercial entre Brasil e Rússia e afirmou que as trocas têm potencial para atingir a cifra de US$ 10 bilhões ao ano, quase o dobro do nível atual (US$ 5,93 bilhões). Ele citou especificamente a área nuclear e de outras energias, além do setor espacial e de alta tecnologia. Patriota e Lavrov também conversaram sobre a inclusão de universidades russas no programa federal "Ciências sem Fronteiras".

Questionado sobre a possibilidade de a Rússia oferecer asilo político ao americano Edward Snowden, ex-funcionário da CIA que divulgou a existência de um programa secreto do governo americano para monitorar telefonemas e informações de internet, Lavrov disse que não recebeu nenhum pedido formal de asilo. "Se for feito (pedido), vamos avaliar." (Mais informações na pág. A10)

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