AFP PHOTO / GABRIEL BOUYS
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Candidata da extrema direita, Le Pen perde espaço em campanha francesa

Além de tomar a dianteira em pesquisas, centrista Emmanuel Macron vê crescer o eleitorado que promete não mudar voto até eleição de abril e maio

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2017 | 12h05
Atualizado 03 de março de 2017 | 21h01

PARIS - A nacionalista Marine Le Pen, da Frente Nacional (FN), perdeu a liderança na corrida presidencial na França pela primeira vez, segundo uma pesquisa publicada nesta sexta-feira, 3, sobre a disputa pelo Palácio do Eliseu. A candidata de extrema direita aparece em segundo lugar, atrás do social-liberal Emmanuel Macron, líder do recém-criado partido En Marche! (Em Movimento).

Além disso, se o candidato conservador, François Fillon, do partido Republicanos, for substituído, a extremista pode ficar fora até do segundo turno (mais informações nesta página). O novo prognóstico, que ainda indica um cenário incerto, foi publicado pelo instituto Odoxa.

Ao longo das últimas semanas todas as pesquisas apontaram uma tendência positiva em torno do candidato social-liberal, que recebeu há 10 dias o apoio do Movimento Democrático (MoDem), maior partido centrista do país. No início da semana, Macron já apareceu em empate técnico com Le Pen. 

Na quinta-feira, com a apresentação de seu programa de governo, o ex-ministro da Economia teria invertido o quadro eleitoral, assumindo a primeira posição, com 27% das intenções de voto, alta de dois pontos porcentuais, à frente da nacionalista, que teria 25,5% - ainda em empate técnico, mas com queda de 1,5%. 

Acusado pelo Ministério Público Financeiro de corrupção e desvio de verbas públicas, o ex-primeiro-ministro François Fillon aparece em terceiro, estagnado com 19% das preferências, o que levaria o partido Republicanos a uma eliminação no primeiro turno, algo inédito desde 1974. Completam o quadro o candidato do Partido Socialista, Benoit Hamon, com 14%, à frente de Jean-Luc Mélenchon, com 10%.

Embora a nacionalista mantenha o eleitorado mais fiel da campanha - mais de 75% de seus eleitores afirmam que não mudarão o voto em nenhuma hipótese -, os escândalos de financiamento clandestino da FN e de empregos fictícios de funcionários da legenda no Parlamento Europeu coincidiram com o crescimento de Macron.

E a instabilidade não está perto de acabar para Le Pen. Nesta sexta, o partido foi informado que a candidata foi convocada a comparecer dentro de uma semana ao Ministério Público para prestar depoimento sobre o escândalo de envolvendo dois de seus assessores diretos, o guarda-costas Thierry Légier, e sua chefe de gabinete, Catherine Griset. De acordo com investigaçãodo Organismo Anti-Fraudes da União Europeia, em Estrasburgo, os dois receberam salários do Parlamento Europeu entre 2010 e 2016 enquanto prestavam serviços na sede do partido em Nanterre, na periferia de Paris. A investigação tenta entender se o caso não era, na realidade, uma prática sistemática da FN para financiar de forma ilegal suas atividades. 

Contra a ofensiva do MP, a líder da FN usa o discurso populista e antissistema. Segundo a candidata, os magistrados estariam sendo manipulados pelo governo socialista de François Hollande e faltariam “legalidade, serenidade e confiança” para responder à Justiça neste momento.

Em meio aos escândalos envolvendo Fillon e Le Pen, Macron tem adotado um tom de reprovação. Ao apresentar seu programa de governo, um dos pilares de sua plataforma foi a proposta de lei de moralização da vida pública, que inclui medidas como o fim do nepotismo e uma lei de ficha limpa no país. 

Para o cientista político Ives-Marie Cann, diretor de estudos do instituto de pesquisa Elabe, Macron tem consolidado seu eleitorado, antes frágil. “A proporção de eleitores que se dizem certos de sua escolha chegou a 53%. São nove pontos a mais do que há algumas semanas”, explica. “Isso mostra que seu potencial eleitoral se solidifica.”

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