Le Pen pode obter 22% dos votos no segundo turno

O candidato de extrema-direita às eleições presidenciais da França, Jean-Marie Le Pen, poderia obter 22% dos votos no segundo turno, no próximo domingo, e o presidente francês, Jacques Chirac, 78%, indicou uma pesquisa de opinião publicada nesta segunda-feira pelo jornal parisiense Le Figaro.Uma pesquisa anterior, publicada no último sábado, indicava que Le Pen poderia obter 19% dos votos, e Chirac, 81%. A pesquisa realizada por Le Figaro, a Radio Europe-1 e a agência Ipsos entrevistou 922 eleitores.Le Pen ficou em segundo lugar nas eleições do dia 21, surpreendendo toda a França e causando consternação nos países democráticos. Milhares de pessoas saem diariamente às ruas da França para protestar contra o resultado, que forçará muitos esquerdistas a apoiar o conservador Chirac, no segundo turno.Na votação do dia 21, Le Pen, líder da Frente Nacional (FN, de extrema-direita) obteve 16,8% dos votos, derrotando na disputa presidencial o primeiro-ministro socialista, Lionel Jospin. O próprio Le Pen disse que será um "grande fracasso" se obtiver menos de 30% dos votos no dia 5 e se mostrou confiante de que poderá conseguir entre 40 e 51%.Le Pen disse que, se eleito, tomará medidas para que a França se afaste da União Européia, restaurará os controles fronteiriços para impedir o fluxo de imigrantes, suspenderá o pagamento do imposto de renda e impulsionará uma estratégia protecionista, com barreiras comerciais, para proteger os empregos no país.O candidato se opõe ao aborto, apóia a pena de morte e é acusado de ser anti-semita. A principal federação de empregadores da França advertiu, nesta segunda-feira, que, se Le Pen vencer as eleições presidenciais, seu programa econômico ocasionará "uma crise financeira sem precedentes", enquanto milhares de estudantes marchavam pelo centro de Paris contra o candidato de extrema-direita."O programa econômico e social apresentado pelo candidato da Frente Nacional provocaria uma profunda recessão econômica", disse, nesta segunda, o presidente do Movimento de Empresas Francesas, Ernest Antoine Seilliere. Acrescentou que geraria "agudo aumento do desemprego, crise financeira sem precedentes, alta da inflação e o empobrecimento de todos e várias tensões sociais".Le Pen ironizou, nesta segunda, os protestos e disse ter-se tornado um "fator de união nacional" pelo fato de grupos tão distintos como os comunistas, empresários, bispos católicos e maçons terem se aliado contra ele."São todos contra Le Pen, finalmente encontramos a causa do estancamento da França", disse Le Pen em entrevista à Associated Press Television. "Tudo é culpa de Le Pen, e, se o eliminarmos, tudo ficará bem. Sou agora um fator de união nacional", ironizou.Em entrevista publicada, nesta segunda, pelo jornal Ouest-France, Le Pen reivindicou "os valores" do regime colaboracionista nazista de Vichy (pátria, trabalho e família) e assegurou que "somente o povo" está junto dele na sua disputa contra Chirac e o "establishment"."Não pode haver liberdade, igualdade e fraternidade (os três símbolos da Revolução Francesa) em um país, se não há pátria para amar, trabalho para criar prosperidade e família para perpetuar o povo", disse.O candidato da Frente Nacional prometeu mobilizar mais de 50 mil seguidores na próxima quarta-feira em homenagem a Santa Joana D´Arc, dia que que a oposição pretende realizar uma grande marcha de 1º de Maio com um conteúdo antifascista.

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