Legião estrangeira luta contra o tédio

Na Guiana Francesa, legionários se submetem a rotina de exercícios

Simon Romero, The New York Times, Campo Stutz, Guiana Francesa, O Estadao de S.Paulo

30 de dezembro de 2008 | 00h00

Não havia outra maneira de descrevê-lo: Stiven Baird, um americano da Legião Estrangeira francesa, estava com uma aparência horrível. Depois do treinamento de combate na selva de uma semana de duração, na floresta equatorial da Guiana, ele morria de fome porque, por três dias, só pôde comer roedores. Mergulhar antes do amanhecer em rios infestados de jacarés haviam posto à prova os seus nervos. E a água suja dos rios que tinha de beber o enojara. Mas ao ser indagado sobre o motivo que o levara a ingressar na legião, um ano antes, seus olhos se iluminaram ao descrever a monótona existência anterior de motorista de caminhão, na Virgínia."Queria ver o mundo e aprender um pouco de francês", explicou, enquanto o supervisor russo do curso, sargento Serguei Provpolski, berrava para ele juntar-se aos outros legionários numa marcha acelerada pela selva.Num salão de jantar, sobre o Rio Approuage, comandantes gabam-se de pegar recrutas de 140 países e transformá-los em mercenários a serviço da França. "Não aceitamos mais criminosos, assassinos ou estupradores", disse o capitão Samir Benykrelef, comandante do acampamento.Criada no século 19 na França para manter o seu império colonial com aventureiros estrangeiros, a legião sobreviveu a inúmeros desafios, como a perda da Argélia, o berço da legião no Norte da África. Mas neste território francês escassamente povoado, vizinho do Brasil, a Legião tem a missão pós-colonial de proteger o Centro Espacial da Guiana em Kourou.Eles guardam o complexo espacial construído há 40 anos contra ataques terroristas que podem surgir do meio da selva que o cerca (há sempre uma primeira vez).Mais ação pode ser vista à noite, no Bar des Sports. Legionários ocupam todas as mesas no bar, ao lado de mulheres com pouca roupa, provenientes de cidades brasileiras como Macapá e Belém."Neste lugar, a gente esquece o motivo pelo qual está estacionado aqui", disse Andrey Korivitsky, 28, um legionário da Bielo-Rússia.

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