AP Photo/Hans Pennink
AP Photo/Hans Pennink

Legisladores de Nova York permitem acesso parcial a impostos de Trump 

Lei aprovada no Estado autoriza Congresso a solicitar documentos que presidente até agora não quis divulgar

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2019 | 21h12

NOVA YORK - O Legislativo de Nova York aprovou nesta quarta-feira, 22, uma lei que permite ao Estado conceder ao Congresso acesso às declarações fiscais estaduais do presidente dos EUA, Donald Trump. O projeto permitirá à Câmara dos Deputados conhecer parcialmente os registros financeiros do presidente e de suas empresas. Para entrar em vigor, falta a assinatura do governador democrata Andrew Cuomo.

Trump sempre rejeitou divulgar suas declarações fiscais. Sua intransigência se aprofundou depois que ele assumiu a Casa Branca, desafiando intimações do Congresso, em Washington. Não estava claro, no entanto, se os democratas da Câmara dos Deputados pedirão as declarações estaduais do presidente. Hoje, um porta-voz da comissão que supervisiona questões fiscais disse que os documentos estaduais talvez não sejam relevantes para a investigação que o órgão conduz. 

Os democratas buscam acesso à declaração de imposto de renda federal de Trump, mas o Departamento do Tesouro se recusa a fornecer. No entanto, uma maneira criativa de obter os dados seria por meio da lei de Nova York, que permitiria ao Estado entregar a declaração estadual de Trump às comissões do Congresso que a requisitarem. 

Os documentos permitiriam um novo olhar sobre os negócios de Trump em Nova York, sua receita e outras informações financeiras pessoais, segundo especialistas. “Agora, a comissão tem um caminho mais rápido para algumas informações importantes sobre os registros ficais de Trump”, disse Daniel Heemel, professor-assistente da Universidade de Chicago. 

A iniciativa ocorre ao mesmo tempo em que o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, enfrenta nova pressão para que Trump divulgue sua declaração de renda. Mnuchin rejeitou intimação da Câmara para que entregasse os documentos, abrindo caminho para uma batalha jurídica. Especialistas manifestam preocupação e dizem que divulgar informações fiscais federais, mesmo que para o Congresso, forçaria as autoridades de Nova York a violar a lei federal. 

Republicanos alegam que o esforço em Albany é de se fazer uma lei destinada a prejudicar uma única pessoa e seria uma potencial invasão de privacidade. Mas legisladores tomaram alguns cuidados para tentar salvaguardar o projeto de lei desses questionamentos, alterando a redação de forma a cobrir uma série de funcionários públicos federais e líderes de partidos políticos.

Banco 

Ainda nesta quarta-feira, um juiz federal de Nova York negou a Trump a possibilidade de impedir que dois bancos, o Deutsche Bank e o Capital One, cedam ao Congresso informações que lhe envolvam. 

Duas comissões da Câmara dos Representantes controladas pelos democratas exigiram de ambos os bancos uma série de documentos ligados à sua empresa, a gigante imobiliária Trump Organization. 

Legisladores democratas querem saber mais sobre a relação entre Trump, o banco americano Capital One e o Deutsche Bank alemão, um dos únicos grandes bancos que continuaram a emprestar dinheiro após uma série de falências nos anos 90. 

Trump, três de seus filhos envolvidos em seus negócios e várias de suas empresas entraram com uma ação para impedir que os bancos transmitissem esses documentos aos legisladores, argumentando que o pedido tem "motivação política".

Mas o juiz federal de Manhattan Edgardo Ramos rejeitou o pedido após uma audiência, que abre caminho para a transmissão de documentos ao Congresso. 

Na segunda-feira, o New York Times informou que a administração do Deutsche Bank ignorou os avisos de seus próprios funcionários sobre Trump e seu genro, Jared Kushner.

Em 2016 e 2017, os funcionários do banco alemão teriam recomendado que várias transações envolvendo entidades legais controladas por Trump ou Kushner fossem reportadas ao Tesouro americano. 

Segundo esses especialistas em controles internos, as operações permitiram suspeitar da existência de uma lavagem de dinheiro. Mas os executivos do banco teriam rejeitado essas recomendações, segundo o jornal. O Deutsche Bank negou esta informação na segunda-feira./ W. POST, NYT e AFP

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.