REUTERS/Sergei Karpukhin
REUTERS/Sergei Karpukhin

Legisladores russos apoiam projeto de lei que aumenta idade mínima para aposentadoria

Proposta ainda precisa de uma aprovação na câmara baixa do Parlamento, antes de ir para a câmara alta e ser sancionada por Putin

O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2018 | 11h19

MOSCOU - A câmara baixa do Parlamento russo aprovou nesta quarta-feira, 26, de maneira preliminar, um projeto de lei que aumenta a idade mínima para aposentadoria, proposta que tem causado indignação na população. O plano do governo aumenta as idades de aposentadoria para homens e mulheres em cinco anos e gerou fúria em todos os blocos políticos da Rússia.

Russos mais velhos temem que não viverão tempo suficiente para receber os benefícios, enquanto as gerações mais jovens se preocupam com o emprego. Caso os trabalhadores se mantenham ativos por mais tempo, as oportunidades de trabalho se tornarão limitadas.

A Duma votou a adoção da segunda leitura do projeto, mas a proposta ainda precisa que passar por uma terceira leitura antes de ir para a câmara alta do Parlamento e ser assinada pelo presidente, Vladimir Putin.

Popularidade

A reforma previdenciária foi apontada por especialistas como um teste para a popularidade de Putin. Quando o presidente foi reeleito, em março, o governo já havia tomado uma série de medidas impopulares, congelando salários de servidores públicos e desindexando as aposentadorias da inflação. Segundo Evsey Gurvich, do Grupo Expert Econômico (EEG), o atual sistema previdenciário russo é problemático.

A expectativa de vida no país é mais baixa do que em outros países emergentes, mas entre os que atingem a idade mínima para se aposentar, são 15 anos recebendo o benefício, para homens, e 25 anos, para as mulheres. "O sistema se torna insustentável", observa o economista. Apesar de necessária, a reforma não recebeu atenção durante a campanha eleitoral de Putin.

No entanto, dois meses depois da eleição, em junho, a popularidade do presidente caía motivada justamente pela reforma. Em agosto, Putin atenuou a proposta, diminuindo o aumento da idade mínima de oito para cinco anos. O líder enviou uma mensagem televisionada à população, na qual defendeu o projeto e ressaltou que a reforma "não pode mais ser adiada".

"Sem reforma, mais cedo ou mais tarde destruiremos nossas finanças, seremos obrigados a assumir dívidas ou a imprimir dinheiro sem reservas, com as consequências que isto provoca: hiperinflação e aumento da pobreza", declarou o presidente, para quem o desequilíbrio atual do sistema de aposentadorias é consequência direta da 2ª Guerra Mundial e do caos econômico e social dos anos 1990. / AP, EFE, AFP e REUTERS

Mais conteúdo sobre:
reforma previdenciáriaRússia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.