Philippe Lopez/AFP
Philippe Lopez/AFP

Parlamento de Hong Kong rejeita reforma eleitoral proposta pelo governo chinês

Decisão é considerada uma vitória para os ativistas que protestavam desde o ano passado por considerarem a medida antidemocrática 

O Estado de S. Paulo

18 de junho de 2015 | 08h58

HONG KONG - O Parlamento de Hong Kong rejeitou nesta quinta-feira, 18, um pacote de reforma eleitoral proposto pelo governo chinês e criticado por deputados e ativistas da oposição pró-democracia, que o consideravam antidemocrático. A reforma permitia eleições por meio do voto universal, mas com um mecanismo que permitia a Pequim vetar a nomeação de alguns candidatos ao Executivo regional.

A proposta de Pequim não reuniu a maioria necessária de dois terços entre os 70 membros do legislativo de Hong Kong durante a votação desta manhã (horário local). 

A rejeição já era esperada e provavelmente vai apaziguar alguns ativistas que tinham exigido o veto do que eles chamam de “falso” modelo democrático de escolha do novo líder do território chinês em 2017. Mas a recusa foi um revés para os líderes comunistas de Pequim, que reagiram dizendo que continuam comprometidos com o sufrágio universal para Hong Kong, mas não indicaram nenhuma nova concessão à oposição pró-democracia.

Após um intenso debate que começou na quarta-feira, mais de 30 legisladores pró-regime e pró-Pequim decidiram abandonar o plenário, por motivos que ainda não foram esclarecidos. A parlamentar pró-China Regina Ip pediu desculpas pela ausência de seus deputados durante a votação e atribuiu a causa a um problema de comunicação entre eles.

O resultado final foi de 37 votos: oito a favor, 1 abstenção e 28 contra a proposta da reforma eleitoral. A proposta teria sido rejeitada igualmente se todos os legisladores estivessem presentes, já que o bloco de oposição à reforma impediria a maioria de dois terços.

Os políticos democratas argumentaram contra o projeto chinês alegando que não se tratavam de "eleições autênticas", já que Pequim não permitiria que a população escolhesse livremente seu principal representante político.

O governo chinês vinha pressionando e adulando os parlamentares pró-democracia de Hong Kong para que apoiassem o projeto. 

"Hoje, 28 membros da Assembleia Legislativa votaram contra a vontade da maioria do povo de Hong Kong, e lhes negaram o direito democrático de eleger o chefe do executivo na próxima eleição", disse o atual líder da cidade, Leung Chun-ying, pró Pequim. "O sufrágio universal para a eleição do executivo-chefe fica agora bloqueado. O sufrágio universal para eleger todos os membros da Assembleia Legislativa também é incerto. Eu, o governo e milhões de pessoas de Hong Kong estamos decepcionados."

Após o resultado, os parlamentares democráticos exibiram no plenário um cartaz e um guarda-chuva amarelo, símbolo da "Revolução dos Guarda-Chuvas", que consistiu em uma série de protestos contra a proposta de Pequim nos últimos meses do ano passado.

Fora do edifício do Conselho Legislativo, que está sob forte segurança desde quarta, foi possível ouvir gritos de comemoração e vaias de centenas de manifestantes, tanto favoráveis como contrários à proposta chinesa.

Os parlamentares pró-China que apoiavam a reforma pediram desculpas aos cidadãos de Hong Kong após o resultado da votação. /EFE e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.