REUTERS/KCNA
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Legista não esclarece causa da morte de estudante americano que estava preso em Pyongyang

Pais de Otto Warmbier alegam que, após ser libertado, ele fazia ‘um som involuntário desumano’, tinha espasmos e estava surdo e cego; Coreia do Norte chama de Trump de ‘velho lunático’ por suas afirmações sobre o caso

O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2017 | 12h09

WASHINGTON - Um relatório da médica legista que examinou o corpo de Otto Warmbier - o estudante americano que morreu em junho em Ohio, nos EUA, após mais de um ano preso na Coreia do Norte - não esclareceu o que levou à morte dele por falta de oxigênio e sangue no cérebro.

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"Não sabemos o que aconteceu com ele ele e essa é a conclusão", disse na quarta-feira 27, em entrevista coletiva, a doutora Lakshmi Sammarco, médica forense do condado de Hamilton, em Ohio.

Essa versão contradiz o relato dos pais de Warmbier, que em entrevista no dia anterior à emissora Fox News afirmaram que seu filho foi "torturado", hipótese também defendida pelo presidente americano, Donald Trump, e negada pelos norte-coreanos. Nesta quinta-feira, 28, a Coreia do Norte voltou a defender que Warmbier não sofreu nenhuma tortura durante sua detenção.

Pyongyang ainda chamou Trump de "velho lunático" por suas afirmações sobre o caso. "Trump e sua panelinha, com sua propaganda anti-RPDC (República Popular Democrática da Coreia), estão explorando de novo a morte de Otto Warmbier", disse o Ministério norte-coreano das Relações Exteriores em um comunicado publicado pela agência oficial de notícias KCNA.

"O fato de o velho lunático do Trump e sua gentalha caluniarem a dignidade da nossa liderança suprema, usando dados fraudulentos, cheios de falsidades e invenções, apenas serve para redobrar a maré de ódio do nosso Exército e do povo contra os EUA e seu desejo de adotar represálias multiplicadas por 100", acrescenta o comunicado.

Complicações

O relatório forense, com data do dia 11 de setembro, aponta que Warmbier morreu em razão de complicações decorrentes da falta de sangue e oxigênio no cérebro. Estas conclusões têm como base um exame externo do corpo, já que os pais do estudante não quiseram realizar a autópsia completa.

Warmbier, de 22 anos, foi preso na Coreia do Norte em janeiro de 2016, quando visitava o país como turista, e condenado a 15 anos de trabalhos forçados por tentar roubar um cartaz de propaganda política do hotel em que estava hospedado, em Pyongyang.

O jovem estava em coma há mais de um ano, quando foi libertado em junho, e morreu uma semana depois, já nos EUA. Pyongyang afirma que Warmbier sofreu um surto de botulismo e recebeu um comprimido para dormir, porém não acordou mais.

Durante a entrevista à Fox News, os pais de Warmbier relataram pela primeira vez como viram seu filho após ele ser libertado. Segundo a versão da família, ele fazia "um som involuntário desumano", tinha espasmos, olhar cravado no espaço, estava surdo e cego, e "parecia que alguém havia reorganizado seus dentes inferiores com alicate".

A médica, no entanto, afirmou que Warmbier aparentemente estava "bem nutrido" e com dentes em bom estado.

Trump disse em sua conta no Twitter na terça-feira que "Otto foi torturado de maneira incrível pela Coreia do Norte".

O episódio de Warmbier agravou ainda mais as tensões entre Washington e Pyongyang em razão dos seguidos lançamentos de mísseis e testes nucleares da Coreia do Norte, assim como a troca de ameaças entre Trump e o líder norte-coreano, Kim Jong-un. / EFE, Reuters e AFP

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