Legistas analisam restos mortais de Oviedo

Estado dos corpos dificulta identificação de vítimas de acidente que matou candidato à presidência do Paraguai

ASSUNÇÃO, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2013 | 02h02

Os corpos do general reformado e candidato à presidência do Paraguai Lino Oviedo - morto no sábado quando o helicóptero em que voava caiu cerca de 200 quilômetros ao norte de Assunção - e de outras duas vítimas da queda começaram a ser analisados ontem. Segundo o médico forense que conduz trabalho, em razão das más condições, a identificação dos restos não será uma tarefa simples.

A hipótese levantada por partidários de Oviedo, de que o incidente teria sido fruto de um atentado, foi rejeitada. Segundo o jornal paraguaio Última Hora, o general da Força Aérea Fernando Noldin e o piloto Lino Paniagua, que inspecionou o local onde o helicóptero Robinson 44 caiu, afirmaram que fortes ventos derrubaram a aeronave.

O jornal corroborou as afirmações com o depoimento do meteorologista José Fariña, da Direção Geral de Meteorologia. "Havia tempestades dispersas. Isso produz dentro das nuvens correntes de vento muito fortes."

O piloto Guillermo Tufró, porém, apontou outra hipótese: "Não foi a tempestade que derrubou (a aeronave). Aqui há um problema de visibilidade noturna, chuva e outros fatores que produziram no piloto a perda do sentido de localização. Pela falta de visibilidade, ocorre a perda da orientação espacial. Esse helicóptero foi projetado para voos visuais", disse o especialista ao Última Hora.

Em nome da Robinson, o representante da empresa Miguel Candia afirmou à Rádio Mil que o modelo de helicóptero "tem um histórico de segurança bom, se for utilizado para o que foi projetado". Candia acrescentou que o helicóptero não foi projetado para voar "em noites de tempestades".

Rosilene Fernández, mulher do piloto morto no incidente, Ramón Picco, disse à Rádio Mil que ele não queria voar. "Insistiram para que meu marido voasse. Até agora não sei o que ocorreu. Meu marido era muito cuidadoso. Não queria voar, mas insistiram." Ela levou réplicas da arcada dentária do marido ao centro de medicina legal, que analisa os restos, para contribuir com a identificação.

Fabiola Oviedo, filha do general morto, levou fotos do pai ao local com a mesma intenção. "Não podemos fazer nenhuma reconstrução de corpos, só estamos reunindo restos espalhados", disse o médico forense Pablo Lemir, afirmando que, "em razão do forte impacto, o nariz da aeronave penetrou ao menos um metro no solo". "Quero esclarecer que os tripulantes não morreram queimados, mas destroçados." O acidente matou também Denis Galeano, guarda-costas de Oviedo. / AP e EFE

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