Lei contra racismo preocupa jornais na Bolívia

Os maiores jornais da Bolívia estão protestando contra um projeto de Lei contra o Racismo e a Discriminação, apoiado pelo governo, e chegaram hoje às bancas e aos assinantes com a primeira página em branco, apenas com a frase: "Não existe democracia sem liberdade de expressão". Os jornais estão preocupados que a lei, se aprovada, seja aplicada de maneira incorreta e leve ao fechamento dos veículos. Segundo a lei, jornais culpados de propagar ou justificar o racismo e a discriminação poderão ser fechados.

AE-AP, Agência Estado

07 de outubro de 2010 | 15h46

Entre os jornais que participaram do protesto estão o El Deber, de Santa Cruz, o La Prensa e El Diário, de La Paz, o Los Tiempos, de Cochabamba, e Correo Del Sur, de Sucre. Em La Paz, alguns jornalistas entraram em greve de fome contra o projeto de lei do governo.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirma que a liberdade de expressão está garantida no país, mas não deveria ser usada como um pretexto para o racismo ou a discriminação. Morales é o primeiro presidente indígena da Bolívia, país onda a maioria da população é indígena e foi oprimida por um longo período.

Em declarações à Agência Boliviana de Informação (ABI), Morales disse que o racismo é "um problema estrutural da sociedade boliviana que deve acabar, porque é uma herança da época colonial que prejudica a unidade do nosso país". Ele disse que os jornalistas não precisam se preocupar com a lei se tomarem em conta a necessidade da sociedade acabar com "essa prática colonial do racismo e discriminação, cujas maiores vítimas na Bolívia foram índios e camponeses, mas também mulheres". O mandatário teve reuniões ontem com o sindicato patronal dos donos de jornais e também com o sindicato dos jornalistas profissionais.

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