Lei contra símbolos religiosos complica o Natal francês

Os chocolates chegaram como em todo dezembro, há 11 anos: embalados em papel colorido, presentes da prefeitura para as crianças do jardim da infância numa cidade do norte da França. Neste ano, porém, os professores desembrulharam alguns pacotes e mandaram tudo de volta - todos os 1.300. Os chocolates são inocentes mas ilegais: têm forma de cruz e da imagem de São Nicolau.Conforme o Natal se aproxima, a França se dá conta de que a lei que proíbe símbolos religiosos ostensivos nas escolas vale para todos, não apenas para a minoria muçulmana - principal grupo afetado, já que a legislação impede o uso de véus pelas meninas. "É uma questão política nada saudável. Totalmente lamentável", disse Andre Delattre, prefeito da cidade de Coudekerque-Branche. "Qual a questão? São as crianças que estão sendo punidas com essa diferença de opinião", queixa-se. "Foram privadas de um momento festivo".A lei, que entrou em vigor em setembro, já levou à expulsão de mais de uma dezena de meninas muçulmanas de escolas secundárias, por se recusarem e abrir mão do lenço na cabeça. Três meninos sikhs também perderam suas vagas por insistir em ir de turbante à escola.

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