Todd Heisler/The New York Times
Todd Heisler/The New York Times

Lei de imigração de 1965 transformou os EUA

Para professora, leis que controlavam as fronteiras ‘fecharam a porta para uma geração de imigrantes’

O Estado de S. Paulo

05 Outubro 2015 | 12h20

NOVA YORK - Em um gesto simbólico, o presidente Lyndon Johnson foi certa vez ao local onde está a Estátua da Liberdade para assinar uma lei que concedia a pessoas de todo o mundo as mesmas oportunidades para entrar nos Estados Unidos. Ele governou no momento em que a medida foi considerada revolucionária.

“Não afetará a vida de milhões de pessoas. Não modificará a estrutura de nossa vida cotidiana, nem aumentará de maneira significativa nossa riqueza ou nossa força”, disse o presidente durante a cerimônia realizada no dia 3 de outubro de 1965.

No entanto, ele ressaltou que a nova lei de imigração poderia “fortalecer” o país de “centenas de formas invisíveis”; 50 anos depois, a Lei Hart-Celler, promulgada por Johnson, provocou mudanças dramáticas.

O país onde em 1965 quase todos os habitantes haviam nascido dentro dos limites de suas fronteiras, tinha agora uma quantidade considerável de pessoas nascidas no exterior.

Desde então, os americanos têm abraçado com alegria os gêneros musicais e a gastronomia dos imigrantes, ainda que no campo político persistam as diferenças e preocupações sobre quem está de forma legal ou ilegal no país.

“Celebramos as gerações de imigrantes que têm ajudado a construir este país e que têm contribuído para o engrandecimento dos EUA”, declarou o presidente Barack Obama em um comunicado que marcava o aniversário da lei. O líder americano é a favor de uma reforma migratória integral e elogia o apoio bipartidário que permitiu a Johnson assinar e promulgar a medida.

A seguir estão fatos relacionados à lei Hart-Celler, também conhecida como Lei de 1965 de Imigração e Naturalização.

Resultado imprevisto

Diante da demanda de famílias americanas formadas por imigrantes europeus dispostos seus parentes ao país, o Congresso decidiu substituir o rigoroso sistema de cotas migratórias por país e implantar um processo de distribuição de vistos de forma igualitária entre todas as nações, em que se daria preferência aos imigrantes com competências e educação avançadas ou que tivessem vínculos familiares com cidadãos americanos.

Alguns no Congresso pensaram que na prática nada mudaria. Foi nesse momento que muitos acreditavam que os imigrantes europeus seriam os principais beneficiados. “Segundo os padrões históricos, sempre houve um fluxo migratório na Europa”, disse Erika Lee, professora de história da imigração na Universidade de Minnesota. “Eles pensaram que bastava se basear nesses padrões.”

No entanto, imigrantes da Ásia e da América Latina também haviam chegado aos EUA. Eles aproveitavam o benefício da preferência familiar para trazer seus pais, filhos e irmãos. De acordo com o Pew Research Center, 59 milhões de pessoas chegaram aos EUA desde 1965. Destes, mais da metade eram da América Latina e um quarto da Ásia.

Abrindo uma porta fechada

A imigração nos EUA foi controlada estritamente a partir do final do século 19, e foi proibida a pessoas de algumas regiões da Ásia. As restrições foram ligeiramente flexibilizadas em meados do século 20, mas era difícil entrar no país cuja nação não era favorável a isso.

Em 1965, somente 5% dos habitantes dos EUA haviam nascido em outros países. A população então passou de 84% branca, 11% negra, 4% hispânica e 1% asiática em 1965 para 62% branca, 11% negra, 18% hispânica e 6% asiática, segundo comunicado do Pew Research. Em 2055, acredita-se que nenhum grupo será majoritário.

Alguns não tinham documento

A lei também levou ao problema atual dos imigrantes que vivem no país sem documentação legal, disse Alan Kraut, professor de história na Universidade Americana.

Em 1965, os países do Hemisfério Ocidental não tinham cotas, e os cidadãos do México e da América Central entravam e saíam com bastante frequência. Quando a lei foi promulgada, também foram estipuladas cotas para o México e para os países da América Central. Mas elas eram insuficientes diante da enorme demanda.

A lei foi promulgada um ano depois que os EUA encerraram formalmente seu programa, permitindo a chegada de trabalhadores mexicanos temporários por mais de 20 anos. “Ambas as leis fecharam a porta para uma geração de imigrantes na fronteira”, disse Lee.

O mesmo sistema de cotas tem levado a uma grande quantidade de pedidos de países como Índia, onde a demanda é muito maior do que em outras nações menos povoadas. /ASSOCIATED PRESS

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