Lei do Afeganistão será a Sharia, diz Karzai

"A lei do Afeganistão será a Sharia, que é muito dura com os criminosos", afirmou, nesta quarta-feira, o presidente provisório designado para o Afeganistão, Hamid Karzai, em uma entrevista à imprensa no hotel romano em que se hospeda.Segundo o chefe do novo governo, que tomará posse no próximo sábado, "o terrorismo não representa absolutamente o Islã e destrói sua imagem: está em guerra contra o próprio Islã". Karzai ressaltou que "os afegãos são muçulmanos e foram os primeiros a iniciar a guerra contra o terrorismo".Sobre o futuro dos afegãos que mantiveram relações com o regime do Taleban, Karzai disse esperar que seus compatriotas os tratem com humanidade, mas com justiça. "O regime dos talebans foi terrível, foi contra o Islã, contra as tradições afegãs, contra a vida, contra a humanidade. Foi um regime estrangeiro, não afegão. Os afegãos são um povo alegre e feliz." Karzai destacou que o terrorismo "é um problema internacional e não apenas afegão. O povo afegão foi a primeira vítima do terrorismo. A enorme quantidade de danos causados pelos talebans e pelo terrorismo só podem ser comprovados indo-se ao Afeganistão". "Agora devemos partir de zero. Milhares de pessoas mortas, centenas de milhares de casas destruídas, milhares de aldeias dizimadas. Nossos filhos não foram à escola por quase dez anos, durante 20 anos nossos enfermos e nossos idosos não receberam nenhuma assistência", acrescentou o presidente designado. Karzai disse que o Afeganistão "é uma devastação total?: ?Mas, com a ajuda de Deus, graças ao sacrifício do povo afegão e à ajuda da comunidade internacional, libertamos nosso país e vencemos os talebans. Agora, nosso povo se encaminha para uma vida melhor. Os afegãos poderão exercer o direito de autodeterminação e participar da vida econômica e política de seu país". Karzai assegurou que "agora, o Afeganistão está aberto para todos, também para o rei Zaher?, que disse a ele que quer voltar logo. ?Tenho confiança na unidade de meu povo", afirmou Karzai. O futuro governante do Afeganistão disse que Osama bin Laden "deve ser entregue e julgado pela Justiça internacional, já que cometeu crimes em todo o mundo". "A guerra contra os talebans no Afeganistão terminou. Agora, temos que procurá-los em todos os esconderijos e colocá-los a descoberto, e nisto somos extremamente sérios. Sofremos demais no Afeganistão. Nenhum taleban poderá ficar no país", acrescentou. "Deus foi misericordioso comigo e, graças a Ele, continuo vivo. Mas é terrível que o mulá Omar e seus partidários tenham assassinado o comandante afegão Abdul Haq e protegido o criminoso Osama bin Laden", afirmou.Acrescentou que "também é terrível que tenha matado no Afeganistão um herói como o general Massud. Os terroristas mataram dois de nossos heróis. Basta isto para descrever em que terrível situação se encontrava o Afeganistão". Karzai confirmou que o número de soldados da força de paz ficará entre 3.000 e 5.000. No segundo dia de sua visita a Roma, Karzai tomou o café da manhã com o embaixador americano, Melvin F. Sembler. No final do café, o futuro presidente qualificou como "muito amistosas" as relações do novo Afeganistão com os EUA, dirigindo-se em seguida a um encontro com o chanceler italiano, Renato Ruggiero.Leia o especial

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.