Lei que muda embaixada revolta árabes

Árabes deploraram nesta quarta-feira uma lei assinada pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que pede o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e disseram que tal medida transformaria os mais de 1 bilhão de muçulmanos do mundo em inimigos de Washington.Bush afirmou que pretende ignorar as cláusulas que cortariam o financiamento ao Consulado dos EUA na cidade - sagrada para cristãos, judeus e muçulmanos - e impediria o Congresso de gastar dinheiro em documentos oficiais que não citassem Israel com Jerusalém como sua capital.Tais cláusulas, segundo ele, interferem em sua autoridade constitucional de definir a política externa norte-americana. Ainda assim, o ex-ministro de Informação da Jordânia Saleh Qallab diz que a lei transformará "os mais de 1 bilhão de muçulmanos de todo o mundo em inimigos dos Estados Unidos".Por meio de comunicado, o governo jordaniano comentou que a lei "contradiz o direito internacional e relevantes resoluções da ONU, além de violar perigosamente os direitos do povo palestino".Na Síria, a chancelaria interpretou a lei como uma nova prova do "apoio de Washington ao prosseguimento da ocupação de terras árabes por Israel". Implementar a lei, alerta a chancelaria síria, colocaria em risco a paz e a segurança na região.O ministro de Relações Exteriores do Egito, Ahmed Maher, procurou acalmar a agitação causada pela lei dizendo que a posição norte-americana sobre Jerusalém não mudou. Bush reiterou recentemente que a situação da cidade precisa ser definida por meio de um acordo entre israelenses e palestinos.Três grupos palestinos de oposição estabelecidos em Damasco, entre eles o Hamas, denunciaram a lei como uma "evidência do flagrante posicionamento norte-americano em favor de Israel". O Hezbollah, com sede no Líbano, também alertou que a lei contradiz resoluções da ONU. Uma fonte citada pela agência de notícias oficial saudita comentou que a lei transmite a mensagem errada a Israel, "encorajando-o a ser mais rígido e extremista em sua política contra os palestinos".

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