Leia a íntegra do discurso de Bush na ONU

Em discurso na abertura da 61ª Assembléia Geral da ONU, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, voltou a defender sua guerra contra o terror e pediu o apoio da comunidade internacional para a disseminar a democracia no Oriente Médio. Além disso, repetindo uma fala de seu pronunciamento durante as celebrações pelos cinco anos do 11 de Setembro, ele disse que a luta entre o extremismo e a paz é "o desafio da nossa geração". Leia a seguir a íntegra do pronunciamento:"Senhor Secretário-Geral, Senhora Presidente, distintos delegados, senhoras e senhores, agradeço o privilégio de falar perante esta Assembléia Geral.Na semana passada os Estados Unidos e o mundo lembraram o quinto aniversário dos ataques que cobriram uma manhã de setembro com morte e sofrimento. Naquele dia terrível, extremistas mataram quase três mil pessoas inocentes, incluindo cidadãos de dezenas de nações representadas aqui nesta sala.A partir daí, os inimigos da humanidade continuaram sua campanha de assassinatos. A Al-Qaeda e aqueles inspirados por sua ideologia extremista atacaram mais de vinte países. E, recentemente, um grupo diferente de extremistas provocou um terrível conflito no Líbano.No início do século 21, é claro que o mundo está empenhado numa grande disputa ideológica entre extremistas que usam o terror como arma para incutir o medo e pessoas moderadas que trabalho pela paz.Há cinco anos subi neste pódio e apelei à comunidade das nações para ir em defesa da civilização e edificar um futuro mais esperançoso. Este ainda é o grande desafio do nosso tempo.É o apelo da nossa geração.Esta manhã desejo falar sobre esse mundo mais esperançoso que está ao nosso alcance, um mundo que vai além do terror, onde homens e mulheres comuns são livres para determinar seu próprio destino, onde as vozes da moderação estão revestidas de poder e onde os extremistas são marginalizados pela maioria pacífica.O mundo pode ser nosso, se procurarmos isso e se trabalharmos juntos.Os princípios deste mundo que supera o terror pode ser encontrado exatamente na primeira frase da Declaração Universal dos Direitos HUmanos. Este documento declara que direitos iguais e inalienáveis de todos os membros da família humana são a base da liberdade, justiça e praz no mundo.Um dos autores desse documento foi um diplomata libanês chamado Charles Malik, que se tornou depois presidente desta assembléia.Charles Malik insistiu que esses princípios fossem aplicados igualmente a todas as pessoas, de todas as regiões e todas as religiões, incluindo homens e mulheres do mundo árabe, de onde ele era originário.Nas quase seis décadas desde que esse documento foi aprovado, vimos as forças da liberdade e da moderação transformarem continentes inteiros. Sessenta anos depois de uma guerra horrível, a Europa hoje está plena, livre e em paz, e na Ásia a liberdade progrediu e centenas de milhões de pessoas foram retiradas da pobreza desesperadora. As palavras da Declaração Universal dos Direitos Humanos hoje são tão verdadeiras como quando foram escritas.À medida que a liberdade floresce, um país cresce em tolerância, esperança e paz. E estamos vendo que um futuro brilhante começa a fincar raízes num Oriente Médio mais amplo.Algumas das mudanças no Oriente Médio foram dramáticas e vemos os resultados nesta sala.Há cinco anos o Afeganistão era controlado pelo brutal regime Taleban e seu assento nesta organização era contestado. Hoje este assento é ocupado por um governo eleito livremente no Afeganistão, representado aqui pelo presidente Karzai.Há cinco anos o assento pertencente ao Iraque nesta organização era ocupado por um ditador que assassinou seus cidadãos, invadiu seus países vizinhos e mostrou desprezo pelo mundo ao desacatar mais de uma dezena de resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.Agora o assento do Iraque é ocupado por um governo democrático que corporifica as aspirações do povo iraquiano, representado hoje pelo presidente Talabani.Com essas mudanças, pela primeira vez em décadas, mais de 50 milhões de pessoas passaram a ter voz nesta sala.Algumas das mudanças verificadas no Oriente Médio estão ocorrendo gradativamente mas elas são reais.Na Argélia foram realizadas as primeiras eleições presidenciais competitivas e os militares se mantiveram neutros.Os Emirados Árabes Unidos anunciaram recentemente que metade dos conselheiros do Conselho Nacional Federal serão escolhidos por meio de eleições.No Kuwait, pela primeira vez as mulheres tiveram permissão de votar e se candidatar nas eleições realizadas no país.Os cidadãos votaram nas eleições municipais realizadas na Arábia Saudita, nas eleições parlamentares na Jordânia e no Bharein e também nas eleições presidenciais multipartidárias no Iêmen e no Egito.Estes são passos importantes e os governos devem continuar avançando com outras reformas que mostrem que eles confiam na sua população.Cada país tem seu próprio ritmo nesse seu percurso na direção da liberdade e as democracias criadas refletirão sua própria cultura e tradições.Contudo o destino é o mesmo: uma sociedade livre onde as pessoas vivem em paz entre si e em paz com o mundo. Alguns diriam que as mudanças democráticas que estamos observando no Oriente Médio estão desestabilizando a região.Este argumento se baseia numa hipótese falsa, de que o Oriente Médio era estável. A realidade é que a estabilidade que pensávamos que existia era uma miragem. Durante décadas, milhões de homens e mulheres na região estiveram aprisionados na opressão e desesperança. Essas condições deixaram uma geração desiludida e tornaram esta região um terreno fértil para o extremismo. Imaginem o que é ser um jovem vivendo num país que não empreende reformas. Você tem 21 anos e enquanto seus camaradas em outras partes do mundo estão votando pela primeira vez, você está impotente para mudar o curso do seu governo. Enquanto seus camaradas em outras partes do mundo recebem uma educação que os prepara para as oportunidades oferecidas por uma economia globalizada, o que lhes é oferecido são propaganda e teorias conspiratórias responsabilizando os outros pelos defeitos do seu país.E para qualquer lado que você se volta, extremistas lhe dizemque você pode escapar da miséria e reconquistar sua dignidade por meio da violência, do terror e do martírio.Para muitos, em todo o Oriente Médio, esta é a lúgubre opção que se lhe apresenta todos os dias.Cada nação civilizada, incluindo aquelas no mundo muçulmano, deve apoiar aquelas na região que estão oferecendo uma alternativa mais promissora.Sabemos que, quando as pessoas podem ditar o seu futuro, ficam menos propensas a se explodir em ataques suicidas. Sabemos que, quando líderes são responsáveis perante sua população, eles estão mais propensos a buscar a grandeza nacional no sucesso dos seus cidadãos, e não no terror e na conquista.Assim, precisamos apoiar os lideres democráticos e reformadores moderados em todo o Oriente Médio. Precisamos dar a eles a oportunidade de exprimirem as esperanças de homens e mulheres decentes que desejam para seus filhos a mesma coisa que desejamos para os nossos.Precisamos buscar a estabilidade por meio de um Oriente Médio livre e justo onde os extremistas são marginalizados pelos milhões de cidadãos no controle de seus próprios destinos.Hoje eu gostaria de falar diretamente às populações de todo o Oriente Médio.Meu país deseja a paz. Os extremistas que se imiscuem entre vocês espalham propaganda afirmando que o ocidente está empenhado numa guerra contra o Islã.Esta propaganda é falsa e seu objetivo é confundi-los e justificar atos de terror.Nós respeitamos o Islã mas protegeremos nosso povo contra aqueles que pervertem o Islã para semear a morte e a destruição.Nossa meta é ajuda-los a criar uma sociedade mais promissora e tolerante que respeite as pessoas de todas as crenças e promova a paz.Para o povo do Iraque, em dezembro passado quase 12 milhões de vocês enfrentaram os atentados suicidas e os assassinos para votarem em eleições livres. O mundo os viu com os dedos marcados com tinta púrpura. E sua coragem nos encheu de admiração.Vocês se mantiveram firmes ante os horrendos atos de terror e a violência sectária. E nós não abandonaremos nem você nem sua luta para construir uma nação livre.Os Estados Unidos e seus parceiros de coalizão continuarão a apoiar os governos democráticos que vocês elegeram. Continuaremos a ajudá-los a obter assistência internacional e os investimentos que necessitam para criar empregos e oportunidades, trabalhando com as Nações Unida e por intermédio de um acordo internacional com o Iraque endossado ontem, aqui nas Nações Unidas.Continuaremos a treinar aqueles de vocês que se apresentarem para combater os inimigos da liberdade. Nós não cederemos o futuro do seu país para terroristas e extremistas.Em troca, seus líderes precisam se mostrar à altura dos desafios que seu país enfrenta e adotar medidas difíceis para trazer a segurança e a prosperidade.Trabalhando juntos ajudaremos a sua democracia a ser bem sucedida para se tornar um farol de esperança para milhões no mundo muçulmano.Para o povo do Afeganistão, juntos destruímos o regime Taleban que tornou suas vidas miseráveis e abrigou terroristas que levaram à morte cidadãos de muitas nações.Desde então, vimos vocês escolherem seus líderes em eleições livres e estabelecer um governo democrático. Vocês podem ter orgulho dessas conquistas.Respeitamos a sua coragem e determinação para viver em paz e liberdade. Continuaremos a apoiá-los na defesa das suas conquistas democráticas.Hoje, as forças de mais de 40 países, incluindo países membros da aliança da OTAN, estão corajosamente lutando lado a lado com vocês contra os extremistas que desejam derrubar o governo livre que vocês estabeleceram. Nós os ajudaremos a derrotar esses inimigos e a criar um Afeganistão livre que nunca mais os oprimirá e nem será refúgio de terroristas.Para o povo do Líbano, no ano passado vocês foram inspiração para o mundo, quando saíram às ruas para exigir independência do domínio sírio.Vocês expulsaram as forças sírias do seu país e restabeleceram a democracia.Desde então, foram submetidos os à prova, diante do combate que teve inicio com os ataques não provocados do Hezbollah contra Israel. Muitos de vocês viram seus lares e suas comunidades no meio do fogo cruzado.Vimos seu sofrimento e o mundo agora os ajuda a reconstruir seu país e a resolver a questão dos extremistas que têm prejudicado a sua democracia, agindo como um estado dentro de um estado.As Nações Unidas aprovaram uma boa resolução, autorizando uma força internacional, liderada pela Itália e França, para ajuda-los a restaurar a soberania libanesa em solo libanês.Durante muitos anos o Líbano foi um modelo de democracia, pluralismo e abertura na região. E o será de novo.Ao povo do Irã, o respeito dos Estados Unidos.Respeitamos o seu país. Admiramos sua rica história, sua cultura vibrante e suas muitas contribuições para a civilização.Vocês merecem uma oportunidade para determinar seu próprio futuro, uma economia que recompense a sua inteligência e seus talentos, e uma sociedade que permita que realizem seu tremendo potencial.O maior obstáculo a este futuro é que seus governantes preferiram negar-lhes a liberdade e usar os recursos do país para financiar o terrorismo, alimentar o extremismo e buscar armas nucleares.As Nações Unidas aprovaram uma resolução clara, que exige que o regime em Teerã cumpra com suas obrigações internacionais. O Irã deve abandonar suas ambições no terreno das armas nucleares.Não obstante o que o regime diz a vocês, não temos nenhuma objeção à busca pelo Irã de um programa nuclear realmente pacífico.Estamos trabalhando numa solução diplomática para esta crise. E à medida que o fazemos, esperem o dia em que poderão viver em liberdade, e Estados Unidos e Irã poderão ser bons amigos e parceiros estreitos em prol da paz. Ao povo da Síria, sua terra é o lar de um grande povo com uma tradição magnífica de erudição e comércio. Hoje, seus governantes permitiram que seu país se tornasse uma encruzilhada para o terrorismo.Em seu meio, Hamas e Hezbollah estão trabalhando para desestabilizar a região, e seu governo está transformando seu país numa ferramenta do Irã. Isso está aumentando o isolamento de seu país do mundo.Seu governo precisa escolher uma maneira melhor de avançar, encerrando seu apoio ao terror e vivendo em paz com seus vizinhos, e abrindo caminho para uma vida melhor para vocês e suas famílias.Ao povo de Darfur, vocês têm sofrido uma violência indescritível. E minha nação chamou essas atrocidades do que elas são: um genocídio.Nos dois últimos anos, os Estados Unidos se uniram à comunidade internacional para oferecer ajuda alimentar emergencial e apoio a uma força de manutenção da paz da União Africana. Contudo seu sofrimento continua.O mundo precisa oferecer mais ajuda humanitária. E precisamos fortalecer a força da União Africana que fez um bom trabalho, mas não é suficientemente forte para protegê-los.O Conselho de Segurança aprovou uma resolução que transformaria a força da União Africana numa força de capacetes azuis que é maior e mais robusta. Para aumentar seu poder e eficácia, os países da Otan deveriam oferecer logística e outras formas de apoio.O regime de Cartum está impedindo a mobilização dessa força. Se o governo sudanês não aprovar rapidamente essa força de manutenção da paz, a ONU precisa agir. Suas vidas e a credibilidade da ONU estão em jogo.Por isso, estou anunciando hoje a nomeação de um enviado especial da Presidência, o ex-administrador da USAID, Andrew Natsios, para chefiar os esforços dos Estados Unidos para resolver disputas pendentes e ajudar a trazer a paz para sua terra.O mundo também se erguer pela paz na Terra Santa. Estou comprometido com a existência de dois Estados democráticos, Israel e Palestina, vivendo lado a lado em paz e segurança.Esta é a visão apresentada no mapa da estrada, e ajudar as partes a atingirem essa meta é um dos grandes objetivos de minha Presidência.O povo palestino sofreu com décadas de corrupção e violência e a humilhação diária da ocupação. Os cidadãos israelenses suportaram atos de terrorismo brutais e o medo constante de ataque desde o nascimento de sua nação.Muitos homens e mulheres valentes se comprometeram com a paz, mas extremistas na região estão acirrando o ódio e tentando impedir o predomínio dessas vozes moderadas.A luta está se espraiando nos territórios palestinos.No início deste ano, o povo palestino votou numa eleição livre. Os líderes do Hamas fizeram sua campanha com base numa plataforma de terminar com a corrupção e melhorar a vida da população palestina, e eles venceram.O mundo enviou uma mensagem clara aos líderes do Hamas: sirvam aos interesses do povo palestino, abandonem o terror, reconheçam o direito à existência de Israel, honrem acordos que trabalham pela paz.O presidente Abbas está comprometido com a paz e com as aspirações de seu povo a um Estado seu.O primeiro-ministro Olmert está comprometido com a paz e disse que pretende se encontrar com o presidente Abbas para alcançarem progressos reais nas questões pendentes entre eles.Acredito que a paz pode ser alcançada e que um Estado palestino democrático é possível.Sei de líderes na região que querem ajudar.Orientei a secretária de Estado Rice para liderar um esforço diplomático para engajar líderes moderados de toda a região para ajudar os palestinos a reformarem seus serviços de segurança e apoiarem os líderes israelense e palestino em seus esforços para se reunirem para resolver suas diferenças.O primeiro-ministro Blair indicou que seu país trabalhará com parceiros na Europa para ajudar a fortalecer as instituições de governo da administração palestina. Saudamos sua iniciativa.Países como Arábia Saudita, Jordânia e Egito deixaram claro que estão dispostos a contribuir com a ajuda diplomática e financeira necessária para que esses esforços sejam bem-sucedidos.Estou otimista de que, ao apoiar as forças da democracia e da moderação, podemos ajudar israelenses e palestinos a construírem um futuro mais esperançoso e alçarem a paz na Terra Santa que todos desejamos.A liberdade, por sua natureza, não pode ser imposta. Ela deve ser escolhida.De Beirute a Bagdá, as pessoas estão fazendo a opção pela liberdade. E as nações reunidas nesta sala precisam fazer uma escolha também. Apoiaremos os moderados e reformadores que estão trabalhando por mudanças no Oriente Médio, ou entregaremos o futuro aos terroristas e extremistas?Os Estados Unidos fizeram a sua escolha. Ficaremos ao lado dos moderados e reformadores.Recentemente, um grupo corajoso de intelectuais árabes e muçulmanos me escreveu uma carta. Nela, eles disseram o seguinte: o apoio à reforma é o único onde aparece alguma luz, ainda que a jornada exija coragem, paciência, e perseverança.A ONU foi criada para tornar possível essa jornada. Juntos, devemos apoiar os sonhos das pessoas boas e decentes que estão trabalhando para transformar uma região conturbada. E ao fazê-lo, promoveremos os altos ideais em que se fundou esta instituição.Obrigado pela atenção. Que Deus nos abençoe."

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