Ahmad Masood/Reuters
Ahmad Masood/Reuters

Leia, em português, a íntegra do discurso de Barack Obama sobre Bin Laden

Pronunciamento feito na Casa Branca confirmou notícia de que Bin Laden tinha sido morto em operação

02 de maio de 2011 | 12h38

WASHINGTON - A seguir, a íntegra do pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, proferido na Casa Branca às 22h30 locais de domingo, 1 (0h30 no horário de Brasília). No discurso, Obama anunciou a informação de que o líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, tinha sido morto em uma operação militar no Paquistão.

 

Obama: Boa noite. Esta noite, eu posso relatar à população americana e ao mundo que os Estados Unidos conduziram uma operação que matou Osama Bin Laden, o líder da Al-Qaeda, e um terrorista que foi responsável pelo assassinato de milhares de mulheres, crianças e homens inocentes.

 

Foi há quase 10 anos que um claro dia de setembro foi escurecido pelo pior ataque sobre o povo americano em sua história. As imagens do 11 de Setembro ficaram gravadas na memória nacional - aviões sequestrados cortando o céu sem nuvens de setembro; as Torres Gêmeas desabando; fumaça negra subindo do Pentágono; os destroços do voo 93 em Shanksville, Pensilvânia, onde as ações de cidadãos heroicos evitaram ainda mais desgosto e destruição.

 

E, ainda assim, nós sabemos que as piores imagens são aquelas que não foram vistas pelo mundo. O lugar vazio na mesa de jantar. Crianças forçadas a crescer sem suas mães ou sem seus pais. Pais que nunca conhecerão a sensação de abraçar seus filhos. Cerca de 3 mil cidadãos foram tirados de nós, deixando um espaço vazio em nossos corações.

 

Em 11 de setembro de 2001, no nosso tempo de luto, o povo americano se uniu. Nós estendemos a mão aos nossos vizinhos e nós oferecemos aos feridos nosso sangue. Nós reafirmamos nossos laços, nosso amor pela comunidade e por nosso país. Naquele dia, não importa de onde nós viéssemos, para qual deus rezássemos, ou de que raça ou etnia fôssemos, nós fomos unidos como uma família americana.

 

Nós também fomos unidos em nossa determinação de proteger nossa nação e de levar justiça àqueles responsáveis por esse ataque brutal. Nós descobrimos rapidamente que os ataques de 11/9 foram realizados pela Al-Qaeda - uma organização liderada por Osama Bin Laden, que já havia declarado guerra aos Estados Unidos abertamente e se comprometeu a matar inocentes em nosso país e ao redor do globo. Então nós entramos em guerra contra a Al-Qaeda para proteger nossos cidadãos, nossos amigos e nossos aliados.

 

Durante os últimos dez anos, graças ao trabalho incansável e heroico dos nossos militares e profissionais de contraterrorismo, nós fizemos grandes avanços nesse esforço. Nós impedimos ataques terroristas e fortalecemos a defesa da nossa pátria. No Afeganistão, nós removemos o governo talebã, que havia dado guarida e apoio para Bin Laden e para a Al-Qaeda. E ao redor do globo, nós trabalhamos com nossos amigos e aliados para capturar ou matar dezenas de terroristas da Al-Qaeda, incluindo diversos que foram parte da ação de 11 de setembro.

 

Ainda assim, Osama Bin Laden evitou sua captura e escapou através da fronteira do Afeganistão para o Paquistão. Enquanto isso, a Al-Qaeda continuava a operar em toda essa fronteira e através de seus afiliados por todo o mundo.

 

E logo após assumir o cargo, eu orientei Leon Panetta, o diretor da CIA, a tornar a morte ou captura de Bin Laden a principal prioridade em nossa guerra contra a Al-Qaeda, mesmo enquanto mantínhamos nossos esforços mais amplos para romper, desfazer e derrotar sua rede.

 

Então, em agosto passado, depois de anos de um meticuloso trabalho da nossa comunidade de Inteligência, fui informado de uma possível pista sobre Bin Laden. Estava longe de ser certo e seguir essa ligação levou meses. Encontrei-me repetidas vezes com minha equipe de Segurança Nacional enquanto desenvolvíamos mais informações sobre a possibilidade de termos encontrado Bin Laden escondido em um complexo subterrâneo no interior do Paquistão. E finalmente, na semana passada, eu determinei que tínhamos inteligência suficiente para realizar uma ação e autorizei uma operação para pegar Osama Bin Laden e trazê-lo à justiça.

 

Hoje, sob a minha direção, os Estados Unidos lançaram uma operação direcionada contra aquele complexo em Abbottabad, Paquistão. Uma pequena equipe de americanos realizou a operação com coragem e capacidade extraordinárias. Nenhum americano foi ferido. Eles tomaram o cuidado de evitar mortes de civis. Após um tiroteio, mataram Osama Bin Laden e tomaram custódia de seu corpo.

 

Por mais de duas décadas, Bin Laden foi o líder e símbolo da Al-Qaeda e continuou a planejar ataques contra nosso país e nossos amigos e aliados. A morte de Bin-Laden marca a conquista mais significativa até hoje no esforço da nossa nação para derrotar a Al-Qaeda.

 

Mas sua morte não marca o fim de nosso esforço. Não há dúvida de que a Al-Qaeda vai continuar a realizar ataques contra nós. Nós devemos - e iremos - continuar vigilantes em casa e no exterior.

 

Ao fazermos isso, nós devemos reafirmar que os Estados Unidos não estão - e nunca estarão - em guerra contra o Islã. Nós deixamos claro, assim como o presidente Bush fez logo após os ataques de 11/9, que nossa guerra não é contra o Islã. Bin Laden não era um líder muçulmano; ele era um assassino em massa de muçulmanos. Na verdade, a Al-Qaeda assassinou dezenas de muçulmanos em muitos países, incluindo o nosso. Então sua morte deveria ser saudada por todos que acreditam na paz e na dignidade humana.

 

Através dos anos, nós havíamos deixado repetidamente claro que deveríamos agir no Paquistão se soubéssemos onde Bin Laden estava. E foi isso que fizemos. Mas é importante notar que foi a nossa cooperação de contraterrorismo com o Paquistão que nos levou a Bin Laden e ao complexo onde ele estava escondido. De fato, Bin Laden havia declarado guerra contra o Paquistão também e ordenou ataques contra o povo paquistanês.

 

Esta noite, eu liguei para o presidente Zardari, e minha equipe também tem falado com seus homólogos paquistaneses. Eles concordam que esse é um dia bom e histórico para nossas duas nações. E seguindo em frente, é essencial que o Paquistão continue conosco na luta contra a Al-Qaeda e seus afiliados.

 

O povo americano não escolheu essa luta. Ela chegou ao nosso território e começou com o assassinato sem sentido dos nossos cidadãos. Depois de quase dez anos de serviço, batalha, sacrifício, nós sabemos os custos da guerra. Esses esforços pesam sobre mim toda vez que eu, como comandante-em-chefe, tenho que assinar uma carta para uma família que perdeu um ente querido, ou olhar nos olhos de um membro do serviço gravemente ferido.

 

Então os americanos compreendem os custos da guerra. Ainda assim, como um país, nós nunca iremos tolerar a nossa segurança sendo ameaçada, nem ficar de braços cruzados quando nosso povo foi morto. Nós seremos implacáveis na defesa de nossos cidadãos e de nossos amigos e aliados. Nós seremos fiéis aos valores que nos tornaram quem somos. E em noites como essa, nós podemos dizer àquelas famílias que perderam seus entes queridos para o terror da Al-Qaeda: a Justiça foi feita.

 

Esta noite, nós agradecemos aos incontáveis profissionais de inteligência e de contraterrorismo que trabalharam incansavelmente para chegar a esse resultado. O povo americano não vê o seu trabalho, nem sabe seus nomes. Mas esta noite, eles sentem a satisfação do seu trabalho e o resultado de sua busca por justiça.

 

Nós agradecemos os homens que trabalharam nessa operação, pois eles exemplificam o profissionalismo, patriotismo e coragem sem paralelo daqueles que servem nosso país. E eles são parte de uma geração que suportou a mais pesada parcela do fardo desde aquele dia de setembro.

 

Por fim, deixe-me dizer às famílias que perderam seus entes queridos no 11/9 que nós nunca esquecemos suas perdas, nem nunca hesitaremos em nosso comprometimento para fazer tudo que for necessário para prevenir outro ataque em nosso território.

 

E hoje, vamos pensar de novo no senso de unidade que prevaleceu no 11/9. Eu sei que ele foi, por vezes, desgastado. No entanto a realização de hoje é um testemunho da grandeza do nosso país e da determinação do povo americano.

 

A causa da segurança nacional ainda não está completa. Mas hoje, nós nos lembramos mais uma vez que a américa pode fazer qualquer coisa que se determinar a fazer. Essa é a história da nossa história, seja a busca da prosperidade do nosso povo, ou a luta pela igualdade de todos os cidadãos; nosso compromisso de defender nossos valores no exterior e nosso sacrifício para tornar o mundo um lugar mais seguro.

 

Vamos nos lembrar que podemos fazer essas coisas não apenas por riqueza ou poder, mas porque nós somos quem somos: uma nação, sob Deus, indivisível, com liberdade e justiça para todos.

 

Obrigada. Que Deus abençoe a todos. E que Deus abençoe os Estados Unidos da América.

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