Leia o discurso de John Kerry na Convenção Democrata

Sou John Kerry e estou me apresentando para serviço. Estamos aqui esta noite porque amamos nosso país. Temos orgulho do que é a América e daquilo que pode tornar-se. Meus compatriotas americanos, estamos aqui esta noite unidos em torno de um propósito: tornar os Estados Unidos mais fortes internamente e mais respeitados no mundo Um grande romancista americano escreveu que você não pode voltar para casa de novo. Ele não poderia ter imaginado esta noite. Hoje à noite, estou em casa ... o lugar onde minha vida pública começou e onde moram aqueles que a tornaram possível; o lugar onde a história do nosso país foi escrita com sangue, idealismo e esperança; o lugar onde meus pais me mostraram os valores da família, da fé e da pátria. Agradeço a todos vocês por uma recepção de boas-vindas ao lar que nunca esquecerei. Gostaria que meus pais pudessem compartilhar esse momento. Eles faleceram há poucos anos. Mas o exemplo deles, a inspiração deles, o dom deles de manter os olhos abertos, a mente aberta e o coração infindável e um mundo que não tem fim são maiores e mais duradouros que quaisquer palavras. Nasci, como alguns de vocês viram no filme, no Hospital do Exército Fitzsimmons, no Colorado, quando meu pai era piloto na 2ª Guerra Mundial. Agora, não sou o tipo de tentar interpretar as coisas, mas adivinhe em que ala do hospital ficava a maternidade? Não estou brincando. Nasci na Ala Oeste. Minha mãe foi a rocha da nossa família, como são muitas mães. Ela ficava acordada até tarde para me ajudar nos deveres escolares. Sentava na minha cama quando eu estava doente. Respondia a perguntas de uma criança que, como todas as crianças, achava o mundo cheio de maravilhas e mistérios. Foi minha supervisora quando eu era lobinho (escoteiro) e teve um grande orgulho ao receber o alfinete de 50 anos como chefe das bandeirantes. Deu-me sua paixão pelo meio ambiente. Ensinou-me a ver as árvores como as catedrais da natureza. E, pelo poder do seu exemplo, mostrou-me que podemos e devemos concluir a marcha na direção da igualdade plena para todas as mulheres nos Estados Unidos da América. Meu pai fez as coisas das quais um garoto não esquece. Deu-me meu primeiro aeromodelo, minha primeira luva de beisebol e minha primeira bicicleta. Também me ensinou que estamos aqui por algo maior do que nós mesmos. Vivenciou as responsabilidades e os sacrifícios da maior das gerações à qual devemos tanto. Quando eu era adolescente, ele estava no Departamento de Estado, servindo em Berlim quando a cidade e o mundo estavam divididos entre democracia e comunismo. Tenho lembranças inesquecíveis de ter sido um garoto atraído pelo magnetismo das tropas britânicas, francesas e americanas, cada uma delas guardando uma parte da cidade, e os russos de guarda na linha que separava a parte Oriental da Ocidental. Numa ocasião, entrei de bicicleta dentro da Berlim Oriental, soviética, e, quando contei isso orgulhosamente a meu pai, ele prontamente me repreendeu. Mas o que aprendi permaneceu comigo para a vida inteira. Vi como a vida pode ser diferente em diferentes partes da mesma cidade. Vi o medo nos olhos das pessoas que não tinham liberdade. Vi a gratidão das pessoas para com os Estados Unidos por tudo o que tínhamos feito. Senti arrepios quando desci de um trem militar e ouvi a banda do Exército tocar Stars and Stripes Forever. Aprendi o que significam os Estados Unidos no nosso melhor momento. Aprendi a ter orgulho da nossa liberdade. E agora estou determinado a restituir esse orgulho em todos que buscam apoio na América. Meus pais pertenceram à Maior das Gerações. E, no momento em que os agradeço, nós nos juntamos todos para agradecer a uma geração inteira por tornar a América forte, por vencer a 2ª Guerra Mundial, vencer a guerra fria e pelo grande dom de servir que trouxe aos Estados Unidos 50 anos de paz e prosperidade. Meus pais me inspiraram a servir e, quando eu estava no segundo grau, John Kennedy convocou minha geração a servir. Foi o início de uma grande jornada, uma época para marchar pelos direitos civis, pelo direito ao voto, a favor do meio ambiente, pelas mulheres e pela paz. Acreditávamos que podíamos mudar o mundo. E quer saber? Conseguimos. Mas nós não acabamos. Mas nós não acabamos. A jornada ainda não está terminada; a marcha não acabou; a promessa não está completa. Esta noite, estamos partindo de novo. E juntos, vamos escrever o próximo grande capítulo da história dos Estados Unidos. Temos o poder de transformar o mundo, mas somente se formos fiéis a nosso ideais. E isso começa por contar a verdade ao povo americano. E, como presidente, esta é minha primeira promessa esta noite: como presidente, restituirei a confiança e a credibilidade na Casa Branca. Peço-lhes que me julguem pelos meus antecedentes. Como um jovem promotor público, lutei pelos direitos das vítimas e tornei minha prioridade processar judicialmente a violência contra as mulheres. Quando vim para o Senado, rompi com muitos membros do meu próprio partido para votar a favor de um orçamento equilibrado, porque achei que era a coisa certa a fazer. Lutei para pôr 100 mil policiais nas ruas dos Estados Unidos. E então busquei apoio do outro lado, com John McCain, para trabalhar para descobrir a verdade sobre nossos prisioneiros de guerra e sobre os que desapareceram em ação, e finalmente promover a paz no Vietnã. Serei um comandante-chefe que nunca os enganará a respeito de uma guerra. Terei um vice-presidente que não conduzirá reuniões secretas com poluidores para reescrever nossas leis ambientais. Terei um secretário da Defesa que ouvirá os conselhos dos líderes militares. E nomearei um secretário da Justiça que respeitará a Constituição dos Estados Unidos. Meus compatriotas americanos, esta é a eleição mais importante da nossa vida. Há muito em jogo. Somos uma nação em guerra - uma guerra global ao terrorismo contra um inimigo diferente de todos que já tivemos antes. E aqui, dentro de casa, os salários estão caindo, os custos com saúde estão subindo e nossa grande classe média está encolhendo. As pessoas estão trabalhando nos fins de semana, tendo dois, três empregos e, mesmo assim, não estão progredindo. Dizem-nos que terceirização de empregos é bom para os EUA. Dizem-nos que os empregos que pagam US$ 9 mil a menos do que os empregos que foram perdidos é o melhor que podemos fazer. Eles dizem que esta é a melhor economia que já tivemos. E dizem que quem pensa o contrário é um pessimista. Bem, aqui está a nossa resposta: não existe nada mais pessimista do que dizer que os Estados Unidos não podem fazer melhor. Podemos fazer melhor e faremos. Somos otimistas. Para nós, este é o país do futuro. Somos as pessoas que podem fazer. Não vamos esquecer o que fizemos na década de 1990: Equilibramos o orçamento. Pagamos as dívidas. Criamos 23 milhões de novos empregos. Tiramos milhões da pobreza. E elevamos o nível de vida da classe média. Basta apenas acreditar em nós mesmos e podemos fazer isso de novo. Assim, esta noite, na cidade onde a liberdade dos EUA começou, a poucos quarteirões do local onde os filhos e filhas da liberdade deram luz à nossa nação, aqui, esta noite, em nome de um novo nascimento da liberdade, em nome da classe média que merece um defensor, e daqueles que lutam para ingressar nela e merecem uma oportunidade justa, em favor dos homens e mulheres em uniforme que arriscam sua vida todos os dias e das famílias que rezam por sua volta, em favor de todos aqueles que acreditam que nossos melhores dias estão por vir, com grande fé no povo americano, aceito sua nomeação para presidente dos Estados Unidos. Tenho orgulho ... (a platéia aplaude). Obrigado, obrigado, obrigado (Kerry, Kerry, Kerry, gritam na platéia) Obrigado. Estou orgulhoso que a meu lado estará um colega de chapa eleitoral cuja vida é a história do sonho americano e que tem trabalhado diariamente para tornar esse sonho real para todos os americanos, senador John Edwards da Carolina do Norte e sua mulher, Elizabeth e sua família. Obrigado. Este filho de um marceneiro está pronto para liderar. E em janeiro os americanos se orgulharão de ter um combatente em favor da classe média na sucessão de Dick Cheney como vice-presidente dos Estados Unidos. E o que posso dizer sobre Teresa? Ela tem a mais forte bússola moral entre as pessoas que eu conheço. Ela é terra a terra, incentivadora, corajosa, sábia e inteligente. Fala o que pensa e fala a verdade e eu a amo por causa disso, também. E é por isso que a América a adotará como a próxima primeira dama dos Estados Unidos. Para Teresa e para mim, não importa o que que o futuro nos reserva nem o que o passado nos deu, nada vai significar tanto como nossos filhos, como vocês podem sentir ouvindo-os. Nós os amamos, não apenas por aquilo que são e o que se tornaram, mas por serem eles mesmos, fazendo-nos rir, pressionando-nos para consentirmos com as coisas e nunca permitindo que me safasse de nada Obrigado, Andre, Alex, Chris, Vanessa e John. E nesta jornada, estou acompanhado por um extraordinário grupo de irmãos liderado por um herói americano, um patriota chamado Max Cleland. Nosso grupo de irmãos não marcha junto por causa de quem somos como veteranos mas por causa do que aprendemos como soldados. Lutamos por nossa nação porque a amávamos e voltamos com a profunda crença de que cada dia é extra. Podemos estar um pouco mais velhos, um pouco mais grisalhos mas ainda sabemos como lutar por nosso país. E nos apoiando nessa luta estão aqueles com quem compartilhamos a longa temporada da campanha das primárias: Carol Mosely Braun, general Wesley Clark, Howard Dean, Dick Gephardt, Bob Graham, Dennis Kucinich, Joe Lieberman e Al Sharpton. A todos vocês, agradeço por me ensinarem e por me porem à prova. Mas, acima de tudo, agradeço por defenderem nosso país e por nos dar a unidade para levar a América para frente. Meus compatriotas americanos, o mundo de hoje é muito diferente do mundo de quatro anos atrás. Mas, acredito que o povo americano está mais do que à altura do desafio. Lembrem-se das horas subseqüentes ao 11 de Setembro, quando nos juntamos e nos unimos para responder ao atentado contra nossa terra natal. Recorremos a nossa força quando nossos bombeiros subiram escadas e arriscaram sua vida para que outros pudessem viver; quando os socorristas penetraram na fumaça e no fogo do Pentágono; quando os homens e mulheres do vôo 93 se sacrificaram para salvar o Capitólio do nosso país; quando as bandeiras estavam penduradas nas varandas por toda a América e estranhos se tornaram amigos. Foi o pior dia que já vimos, mas revelou o melhor de todos nós. Orgulha-me o fato que, após o 11 de Setembro, todo nosso povo se arregimentou em torno da convocação do do presidente Bush à unidade para enfrentar o perigo. Não havia democratas. Nem havia republicanos. Havia apenas americanos. E como desejamos que tivesse ficado dessa forma! Agora, sei que existem aqueles que me criticam por ver complexidades - e eu vejo - porque algumas questões não são assim tão simples. Dizer que há armas de destruição em massa no Iraque não faz com que isso seja verdade. Dizer que podemos lutar uma guerra com poucos gastos não torna isso verdade. E certamente proclamar Missão Cumprida também não. Como presidente, farei perguntas difíceis e exigirei provas concretas. Reformularei imediatamente o serviço de informações de forma que seja guiado por fatos e os fatos nunca sejam distorcidos pela política. E, como presidente, trarei esta nação de volta à tradição que sempre honramos: os Estados Unidos nunca vão à guerra porque querem; vamos à guerra quando temos de ir. Esse é o padrão da nossa nação. Sei o que os rapazes sentem quando estão portando um fuzil M-16 num lugar perigoso e não conseguem distinguir o amigo do inimigo. Sei o que eles passam quando estão fazendo patrulha à noite e não sabem o que os espera na próxima curva. Sei como é escrever cartas para casa dizendo a nossa família que tudo está bem quando você sabe que não é verdade. Como presidente, travarei esta guerra com as lições que aprendi na guerra. Antes de ir para a batalha, você deve poder olhar nos olhos de um pai e dizer com sinceridade: "Tentei todo o possível para evitar enviar seu filho ou filha para o perigo, mas não tivemos escolha, tivemos de proteger o povo americano, os valores fundamentais americanos contra uma ameaça que era real e iminente." E no meu primeira dia no cargo, enviarei uma mensagem para cada homem ou mulher das nossas Forças Armadas: você nunca será solicitado a lutar uma guerra sem um plano para conquistar a paz. Sei que temos a fazer no Iraque. Precisamos de um presidente que tenha a credibilidade para trazer nossos aliados para o nosso lado e compartilhar o ônus, reduzir o custo para os contribuintes americanos, reduzir o risco para os soldados americanos. Essa é a forma correta de fazer o serviço e trazer nossos soldados de volta para casa. Eis a realidade: isso não acontecerá até que tenhamos um presidente que devolva o respeito e a liderança aos EUA de forma que não precisemos andar sozinhos no mundo. E precisamos reconstruir nossas alianças para que consigamos pegar os terroristas antes que eles nos peguem. Defendi este país quando jovem e o defenderei como presidente. Mas que não se enganem: nunca hesitarei em usar a força quando for necessário. Qualquer ataque será enfrentado com uma reação rápida e certeira. Nunca darei a qualquer país ou instituição o poder de veto sobre nossa segurança nacional. E construirei Forças Armadas mais fortes. Acrescentarei 400 mil soldados no serviço ativo, não no Iraque, mas para fortalecer as forças americanas que agora estão sendo exigidas além de suas capacidades e estão sob pressão. Dobraremos nossas Forças Especiais para conduzir operações de combate ao terrorismo, e proporcionaremos a nossos soldados as armas e a tecnologia mais recentes para salvar a vida deles e ganhar a batalha. E acabaremos com o recrutamento subreptício da Guarda Nacional e dos reservistas. Para todos aqueles que servem em nossas Forças Armadas, eu digo: a ajuda está a caminho. Como presidente, travarei uma guerra ao terrorismo mais inteligente e mais eficaz. Colocarei a serviço da guerra todos os instrumentos do nosso arsenal: nossa economia assim como nosso poderio militar, nossos princípios assim como nosso poder de fogo. Nessa época perigosa, existe uma maneira certa e uma maneira errada de ser forte. Força é mais do que palavras duras. Depois de décadas de experiência em segurança nacional, conheço o alcance do nosso poder e conheço o poder de nossos ideais. Temos que transformar os Estados Unidos mais uma vez no sinalizador do mundo. Precisamos ser encarados com respeito e não apenas com medo. Precisamos liderar um esforço global contra a proliferação nuclear, manter as armas mais perigosas do mundo fora das mãos mais perigosas do mundo. Precisamos de Forças Armadas mais fortes e precisamos liderar alianças fortes. E então, com confiança e determinação, conseguiremos dizer aos terroristas: "vocês perderão e nós ganharemos". O futuro não pertence ao medo, pertence à liberdade. E as linhas de frente desta batalha não estão somente longe. Estão bem aqui, nas nossas costas. Eles estão em nossos aeroportos e potencialmente em qualquer cidade. Hoje, nossa segurança nacional começa com a segurança doméstica. A comissão do 11 de Setembro nos deu um caminho a seguir, endossado pelos democratas, republicanos e pelas famílias do 11/9. Como presidente, não fugirei nem tergiversarei; implementarei imediatamente todas as recomendações desta comissão. Não deveríamos estar permitindo que 95% de nossos navios de carga entrassem em nossos portos sem nem sequer ser inspecionados fisicamente. Não deveríamos estar deixando instalações nucleares e químicas sem proteção suficiente. E não deveríamos estar abrindo quartéis de bombeiros em Bagdá e fechando-os nos Estados Unidos da América. E nesta noite temos uma mensagem importante para os que questionam o patriotismo dos americanos que oferecem uma direção melhor para nosso país. Antes de se embrulhar na bandeira e cerrar os olhos e ouvidos para a verdade, eles deveriam lembrar do que a América realmente é. Eles deveriam lembrar a grande idéia da liberdade pela qual tantos deram suas vidas. Nosso objetivo agora é reaver nossa própria democracia. Estamos aqui para afirmar que, quando os americanos se levantam e expressam suas idéias e dizem que a América pode fazer melhor, isto não é um questionamento do patriotismo; é o coração e a alma do patriotismo. Vocês estão vendo aquela bandeira lá em cima. Nós a chamamos de Velha Glória, as estrelas e listras para sempre. Lutei sob aquela bandeira, como fizeram tantas dessas pessoas aqui presentes nesta noite e no país todo. Aquela bandeira pendia da torre do canhão bem atrás de minha cabeça, e foi atravessada por tiros e despedaçada, mas nunca parou de ondular ao vento. Ela embrulhou os caixões de homens com os quais servi e amigos com os quais cresci. Para nós, aquela bandeira é o símbolo mais poderoso do que nós somos de daquilo em que acreditamos: nossa força, nossa diversidade, nosso amor pelo país, tudo o que torna a América ao mesmo tempo grande e boa. Aquela bandeira não pertence a nenhum presidente. Não pertence a nenhuma ideologia. Ela não pertence a nenhum partido. Pertence a todo o povo americano. Meus concidadãos, eleições tratam de escolhas. E escolhas tratam de valores. No fim, não são apenas políticas e programas que importam; o presidente que sentar-se à mesa precisa ser guiado pelo princípio. Durante quatro anos, ouvimos falar muito de valores. Mas valores citados sem ações tomadas são apenas slogans. Valores não são apenas palavras, valores são aquilo pelo que vivemos. Tratam das causas que defendemos e das pessoas pelas quais lutamos. E é hora de aqueles que falam de valores familiares começarem a dar valor às famílias. Não se dá valor às famílias expulsando crianças de programas depois do período escolar e tirando policiais das ruas, para que a Enron possa conseguir outra isenção fiscal. Acreditamos no valor familiar de cuidar de nossos filhos e proteger as vizinhanças onde eles andam e brincam. E esta é a escolha nesta eleição. Não se tem valores familiares negando a verdadeira cobertura de medicamentos com receita para idosos para que as companhias farmacêuticas possam conseguir mais uma vantagem. Acreditamos no valor familiar expressado em um dos mais antigos mandamentos: "Honrai vosso pai e vossa mãe." Como presidente, não vou privatizar a Seguridade Social. Não vou cortar benefícios. E juntos garantiremos que os cidadãos idosos nunca tenham de cortar suas pílulas no meio porque não podem pagar medicamentos que salvam vidas. E esta é a escolha nesta eleição. Não se dá valor às famílias forçando-as a fazer uma coleta para comprar trajes blindados para um filho ou filha no serviço militar, negando serviços de saúde aos veteranos, dizendo a famílias de classe média que esperem por um corte de impostos, a fim de que os mais ricos entre nós fiquem com ainda mais. Acreditamos no valor de fazer o que é certo para todos na família americana. E esta é a escolha nesta eleição. Acreditamos que o que mais importa não são apelos limitados disfarçados de valores, e sim os valores compartilhados que mostram a verdadeira face da América; não valores estreitos que nos dividem, e sim os valores compartilhados que nos unem: família, fé, trabalho duro, oportunidade e responsabilidade para todos, para que cada criança, cada adulto, cada pai, cada trabalhador na América tenha uma chance igual de realizar o potencial que Deus lhe deu. Este é o sonho americano e o valor americano. O que significa na América hoje quando Dave McCune, um metalúrgico que conheci em Canton, Ohio, vê seu emprego transferido para o exterior e o equipamento em sua fábrica literalmente desparafusado, encaixotado e enviado a milhares de quilômetros dali, junto com aquele emprego? O que significa quando os trabalhadores que conheci têm de treinar seus substitutos estrangeiros? A América pode fazer melhor. E nesta noite dizemos: a ajuda está a caminho. O que significa quando Mary Ann Knowles, uma mulher com câncer de mama que conheci em New Hampshire, tem de continuar trabalhando dia após dia, durante sua quimioterapia, não importando o quão doente esteja, porque está aterrorizada com a idéia de perder o seguro-saúde de sua família? A América pode fazer melhor, e a ajuda está a caminho. O que significa quando Deborah Kromins, de Filadélfia, Pensilvânia, trabalha e economiza a vida toda, e descobre que sua pensão desapareceu no ar e o executivo que a saqueou pulou com um pára-quedas de ouro? A América pode fazer melhor, e a ajuda está a caminho. O que significa quando 25% das crianças do Harlem têm asma por causa da poluição do ar? Podemos fazer melhor, a América pode fazer melhor, e a ajuda está a caminho. O que significa quando pessoas estão amontoadas em cobertores no frio, dormindo no Lafayette Park, à porta da própria Casa Branca, e o número de famílias vivendo na pobreza aumenta em 3 milhões nos últimos quatro anos? A América pode fazer melhor, e a ajuda está a caminho. Assim, viemos aqui nesta noite para perguntar: onde está a consciência de nosso país? Vou lhes dizer onde está. Está na América rural e nas pequenas cidades; está nas vizinhanças urbanas e nas ruas principais suburbanas; está viva nas pessoas que encontrei em cada parte desta terra. Está batendo nos corações dos americanos que estão determinados a devolver nossos valores e nossa verdade a nosso país. Damos valor a empregos que realmente lhe pague mais que o emprego que você perdeu. Damos valor a empregos onde, quando você trabalha a semana toda, pode realmente pagar suas contas, sustentar seus filhos, melhorar a qualidade de sua vida. Damos valor a uma América onde a classe média não está sendo esmagada, e sim saindo-se melhor. Assim, aqui está nosso plano econômico para construir uma América mais forte: primeiro, novos incentivos para revitalizar a indústria; segundo, investimento em tecnologias e inovações que criarão os empregos bem pagos do futuro; terceiro, fechar as brechas fiscais que recompensam as companhias por transferir empregos para o exterior. Em vez disso, vamos recompensar as companhias que criam e mantêm empregos bem pagos exatamente aqui onde é seu lugar, nos velhos e bons EUA. Damos valor a uma América que exporta produtos, não empregos. E acreditamos que os trabalhadores americanos nunca deveriam subsidiar a perda de seus próprios empregos. Depois, vamos fazer comércio, e competiremos no mundo. Mas nosso plano pede um campo para o jogo limpo, pois quando se dá ao trabalhador americano um campo para o jogo limpo, não há ninguém no mundo com quem o trabalhador americano não possa concorrer. E vamos retornar à responsabilidade fiscal, pois ela é a fundação de nossa força econômica. Nosso plano cortará o déficit pela metade em quatro anos, por meio do fim dos presentes fiscais que nada mais são que beneficência corporativa, e faremos o governo viver segundo a regra que toda família deve obedecer: pagar conforme o uso. Deixem-me dizer-lhes o que não faremos: não aumentaremos os impostos da classe média. Vocês ouviram muitas acusações falsas sobre isso nos últimos meses. Então deixem-me dizer claramente o que farei como presidente: cortarei os impostos da classe média. Reduzirei a carga fiscal sobre as pequenas empresas. E vou reverter os cortes de impostos dos indivíduos mais ricos que ganham mais de US$ 200 mil por ano, para que possamos investir em saúde, educação e criação de empregos. Nosso plano de educação para uma América mais forte estabelece altos padrões e exige responsabilidade e prestação de contas dos pais, professores e escolas. Ele prevê classes menores e trata os professores como os profissionais que são. E dá um crédito fiscal às famílias para cada ano de faculdade. Quando eu era um promotor, conheci crianças que estavam em apuros, abandonadas - todas elas - pelos adultos. Como presidente, estou determinado a fazer com que deixemos de ser uma nação contente por gastar US$ 50 mil por ano para mandar uma pessoa jovem para a prisão pelo resto de sua vida, quando poderíamos investir US$ 10 mil no Head Star, Early Start, Smart Star (programas de apoio à criança), um verdadeiro começo para as vidas de nossos filhos. E damos valor à saúde que pode ser paga e é acessível para todos os americanos. Desde 2000, 4 milhões de pessoas perderam seus planos de saúde. Outros milhões lutam para conseguir pagá-los. Vocês sabem o que está acontecendo. Seus prêmios, seus pagamentos, seus dedutíveis dispararam. Nosso plano para a saúde para uma América mais forte ataca o desperdício, a ganância e o abuso em nosso sistema de saúde, e permitirá que as famílias economizem US$ 1 mil por ano em prêmios. Vocês poderão escolher seus próprios médicos. E os pacientes e médicos, não os burocratas das companhias de seguro, tomarão as decisões médicas. Sob nosso plano, o (programa público) Medicare negociará preços mais baixos de medicamentos para os idosos. E todos os americanos poderão comprar remédios com receita menos caros de países como o Canadá. A história de pessoas lutando pela proteção da saúde é a história de muitos americanos. Mas sabem de uma coisa? Não é a história de senadores e membros do Congresso, porque nos damos uma grande proteção da saúde, e vocês pagam a conta. Bem, estou aqui nesta noite para dizer: a proteção da saúde de sua família e tão importante quando a de qualquer político em Washington. E quando eu for presidente, deixaremos de ser a única nação avançada do mundo a não entender que a proteção da saúde não é um privilégio dos ricos, dos bem relacionados e dos eleitos; é um direito de todos os americanos. E faremos com que seja assim. Damos valor a uma América que controla seu próprio destino porque finalmente e para sempre é independente do petróleo do Oriente Médio. O que significa para nossa economia e nossa segurança nacional quando temos apenas 3% das reservas de petróleo do mundo, mas dependemos de países estrangeiros para 53% do que consumimos? Quero uma América que dependa de sua engenhosidade e inovação, não da família real saudita. E nosso plano de energia para uma América mais forte - nosso plano de energia investirá em novas tecnologias e combustíveis alternativos e nos carros do futuro, para que nenhum jovem americano fardado seja refém de nossa dependência do petróleo do Oriente Médio. Falei a vocês sobre nossos planos para a economia, educação, saúde, independência energética. Quero que vocês saibam mais sobre eles. Assim, vou dizer algo que Franklin Roosevelt jamais poderia ter dito em seu discurso de aceitação: visitem johnkerry.com. Quero dirigir as próximas palavras diretamente ao presidente George W. Bush. Nas próximas semanas, sejamos otimistas, não apenas adversários. Vamos construir unidade na família americana, não divisão encolerizada. Vamos honrar a diversidade desta nação. Vamos respeitar um ao outro. E nunca façamos mal uso, para objetivos políticos, do mais precioso documento da história americana, a Constituição dos Estados Unidos. Amigos, a estrada digna pode ser mais difícil, mas leva a um lugar melhor. E é por isso que republicanos e democratas precisam fazer desta eleição uma disputa de grandes idéias, não de ataques mesquinhos. É nossa vez de rejeitar o tipo de política calculada para separar raça de raça, região de região, grupo de grupo. Talvez alguns apenas nos vejam divididos entre aqueles Estados vermelhos e azuis, mas vejo-nos como uma América: vermelha, branca e azul. E quando eu for presidente, o governo que chefiarei recrutará pessoas de talento, democratas e também republicanas, para encontrar o terreno comum, a fim de que ninguém que tenha algo a oferecer a nossa nação seja deixado à margem. E deixem-me dizer claramente: nesta causa, e nesta campanha, damos as boas-vindas às pessoas de fé. A América não se resume a "nós e eles". Penso no que Ron Reagan disse sobre seu pai há poucas semanas, e quero dizer isso a vocês nesta noite: não tenho minha religião na mão, mas a fé me deu os valores e a esperança com os quais viver, do Vietnã aos dias de hoje, de domingo a domingo. Não quero afirmar que Deus está do nosso lado. Como nos disse Abraham Lincoln, quero rezar humildemente para que estejamos do lado de Deus. E qualquer que seja sua fé - qualquer que seja sua fé, uma crença deve nos ligar a todos: a medida de nosso caráter é nossa disposição de nos entregar por outros e por nosso país. Estes não são valores democratas. Não são valores republicanos. São valores americanos. Acreditamos neles. Eles são o que somos. Se se os honrarmos, se acreditarmos em nós mesmos, poderemos construir uma América mais forte em casa e respeitada no mundo. Muitas promessas estendem-se diante de nós. Os americanos sempre buscaram o impossível, olharam para o próximo horizonte e perguntaram: "E se...?" Dois jovens mecânicos de bicicleta de Dayton perguntaram: "E se este avião pudesse decolar em Kitty Hawk?" Ele fez isso, e mudou o mundo para sempre. Um jovem presidente perguntou: "E se pudéssemos ir à Lua em dez anos?" E agora estamos explorando as estrelas e os próprios sistemas solares. Uma jovem geração de empreendedores perguntou: "E se pudéssemos pegar todas as informações de uma biblioteca e guardá-las numa pastilha do tamanho de uma unha?" Fizemos isso, e isso também mudou o mundo. E agora é nossa vez de perguntar: "E se...?" E se encontrássemos o caminho para a cura do Parkinson, diabetes, Alzheimer e aids? E se tivéssemos um presidente que acreditasse na ciência, para podermos liberar as maravilhas da descoberta, como a pesquisa das células-tronco, e tratar a doença de milhões de pessoas? E se fizéssemos o que os adultos devem fazer e garantíssemos que todos os nossos filhos ficassem seguros nas tardes depois da escola? E se tivéssemos uma liderança tão boa quanto o sonho americano, para que a intolerância e o ódio nunca mais roubassem a esperança ou o futuro de nenhum americano? Aprendi muito sobre esses valores naquela canhoneira patrulhando o delta do Mekong com americanos - vocês os viram - oriundos de lugares tão diferentes como Iowa e Oregon, Arkansas, Flórida, Califórnia. Ninguém se importava com o lugar onde havíamos estudado. Ninguém se importava com nossa raça ou nossas origens. Estávamos todos literalmente no mesmo barco. Cuidávamos uns dos outros, e ainda o fazemos. Este é o tipo de América que vou liderar como presidente: uma América onde estamos todos no mesmo barco. Nunca houve um momento mais urgente para nós, americanos, nos apresentarmos e nos definirmos. Trabalharei o quanto puder. Porém, meus concidadãos, o desfecho está em suas mãos, mais que na minha. É hora de buscar o próximo sonho. É hora de olhar para o próximo horizonte. Para a América, a esperança está aqui. O sol se levanta. Nossos melhores dias ainda estão por vir. Obrigado. Boa noite. Deus os abençoe, e Deus abençoe os Estados Unidos da América.

Agencia Estado,

31 de julho de 2004 | 08h52

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