Leis de privacidade facilitaram massacre na Virgínia

Segundo relatório criminal do caso, estudante era indivíduo proibido de portar armas

Agencia Estado

19 Junho 2007 | 11h05

Sob a vigência de confusas leis de privacidade, as autoridades muitas vezes falham em dar mais atenção a estudantes perigosos em potencial, segundo informa uma relatório do governo dos Estados Unidos citado em reportagem da CNN. O documento se refere ao relatório criminal realizado na Universidade Virginia Tech e divulgado quase dois meses depois do maior crime em uma universidade no país. Em 16 de abril, o estudante Cho Seung-Hui matou 32 estudantes da Faculdade de Tecnologia, no campus de Blacksburg, no Estado da Virgínia, antes de se suicidar. O crime foi considerado o de maiores proporções na história moderna dos EUA, superando até o famoso massacre de Columbine, em 1999. O estudante de 23 anos, nascido na Coréia do Sul, foi descrito durante a investigação do caso como uma pessoa solitária. Estudante de Letras, o jovem preocupava seus professores pelo grau de violência de seus textos. Após Cho revelar tendências suicidas a um colega de quarto, que então alertou alguns professores e amigos, o jovem sul-coreano foi obrigado a passar por um teste psicológico e encaminhado para tratamento. Contudo, os resultados do teste nunca foram encaminhados na base de dados do Sistema de Comprovação de Antecedentes Criminais. Por esse motivo, Cho teve enorme facilidade em comprar as duas armas que usou no massacre. "Dados precisos e completos sobre os indivíduos proibidos de portar armas são essenciais para evitar que armamentos caiam em mãos erradas", conclui o relatório. Parte do problema, diz o relatório, é que educadores, médicos e policiais não têm certeza da permissão de revelar a ficha médica dos pacientes, segundo informa a reportagem da CNN. "Precisamos ressaltar para educadores, para a comunidade médica de saúde mental e para oficiais da lei que todos pode, de fato, compartilhar informações quando a segurança de uma pessoa ou de uma comunidade está em perigo", disse o secretário de Serviço Social e de Saúde, Michael O. Leavitt. "Quando uma pessoa coloca sua vida em perigo, ou a de uma comunidade, as leis permitem que a escola trabalhe em conjunto com os serviços de saúde para dar apoio à esta pessoa", afirma. Projeto de lei O relatório foi divulgado no mesmo dia em que a Câmara de Representantes (Deputados) aprovou um projeto de lei para aumentar o controle do mercado de armamentos. O projeto de lei prevê a melhoria do fornecimento de informações sobre a compra de armas no país, e ajudará a identificar as pessoas que não têm permissão para adquiri-las. Caso o projeto de lei seja aprovado, se transformaria na primeira lei de controle de armas em nível federal a entrar em vigor em mais de uma década. Cinco dias após o massacre na Virginia Tech, o presidente dos EUA, George W. Bush, pediu que os departamentos de Saúde e Serviços Humanos, Justiça e Educação recolhessem informações de como educadores, especialistas em saúde mental, a Polícia e diversas autoridades poderiam trabalhar para prevenir casos semelhantes. A eficiência na comunicação entre as diversas esferas foi o assunto dominante, revela a reportagem. Referendado pela Associação Nacional de Rifles dos Estados Unidos (NRA) - um poderoso grupo de pressão com grande influência no Congresso, que defende o direito à posse de armas com as mínimas restrições - o projeto de lei aumenta o número de informações fornecidas ao sistema de comprovação de Antecedentes Criminais dos EUA, para evitar que sejam adquiridas por pessoas sem permissão para tal, dentre as quais criminosos e deficientes mentais. Social X individual Desta forma, segundo a legisladora democrata Carolyn McCarthy, chegarão ao sistema central de controle os nomes de milhões de pessoas que estão proibidas de adquirir armas. Embora o relatório conclua que "em um país de mais de 300 milhões de pessoas, é impossível eliminar todos os riscos", ele frisa a necessidade de proibir a compra de armas para alguns indivíduos. O relatório lista algumas recomendações como a necessidade de "desestigmatizar" as doenças mentais, reduzir a isolação de estudantes e encorajá-los a sempre buscar ajuda para si e para outros quando necessário. Em carta, o presidente da Virginia Tech, Charles W. Steger afirma: "Acreditamos que isto promoverá a discussão em níveis estaduais e nacionais sobre a relação entre a segurança da sociedade e a liberdade individual." Em paralelo à investigação federal, o governador do Estado da Virgínia, Tim Kaine, conduz uma segunda investigação, que ainda não está completa, sobre o massacre na universidade.

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