AP Photo/Charles Rex Arbogast
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Leitores encaram -20°C em fila por livro sobre Donald Trump

Tentativa de impedir lançamento serviu apenas para impulsionar vendas e levar publicação ao topo da lista de mais vendidos

O Estado de S.Paulo

05 Janeiro 2018 | 23h58

WASHINGTON - Os termômetros marcavam -20ºC em Washington, na noite de quinta-feira, quando a fila começou a se formar na porta da livraria Kramerbooks. O vento e a noite fria não impediram uma centena de pessoas de esperar o lançamento do livro Fire and Fury: Inside the Trump White House, do jornalista Michael Wolff, uma narrativa do caos instaurado na Casa Branca depois que Donald Trump assumiu a presidência. 

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A lendária livraria havia anunciado, horas antes, que começaria a vender cópias do livro de Wolff à meia-noite – nove horas antes de o texto estar disponível para download via Kindle. Desde que a pré-venda do livro começou, há duas semanas, ele é o mais vendido da Amazon. “Este livro é como Harry Potter para adultos”, disse um dos clientes na fila da livraria ao jornal Washington Post. “Eu estava em uma festa em um bar ali na frente, com cerveja e nachos, mas vim para cá. Não perco meu lugar na fila por nada”, disse outro cliente. 

O livro de Wolff foi impulsionado para o topo da lista de mais vendidos em razão da promessa de revelar os bastidores do período que antecedeu a vitória de Trump e os nove meses subsequentes. 

A furibunda reação de Donald Trump impulsionou as vendas. O presidente acionou seus advogados para impedir o lançamento. Primeiro, eles atacaram Steve Bannon, ex-estrategista de Trump e seu principal conselheiro. Bannon disse a Wolff que o filho de Trump e seu genro, Jared Kushner, eram “traidores” da pátria por terem se reunido com funcionários do governo russo sem alertar o FBI.

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Os advogados de Trump acusaram Bannon de quebrar um acordo de confidencialidade. Em seguida, os representantes de Trump enviaram um aviso legal a Wolff e à editora do livro, Henry Holt and Co. Na carta de 11 páginas, ameaçavam ambos de processo por calúnia, difamação e divulgação de informações sigilosas, caso o livro fosse lançado. 

A editora antecipou o lançamento de 9 de janeiro para ontem. Resultado: o livro se esgotou em Washington em 20 minutos e subiu 48.850 posições na lista de mais vendidos da Amazon, saindo de líder de não ficção para líder de todas as categorias. Segundo o jornal britânico The Guardian, ao menos 250 mil cópias foram impressas na primeira tiragem. “Não há o que debater, este é o maior livro sobre Washington em uma geração” disse ao Washington Post Steve Dingledine, professora do ensino médio que estava em primeiro lugar na fila. / W. POST e NYT

 

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