Leitura apressada do discurso do papa causou polêmica, diz Vaticano

O novo ministro do Exterior do Vaticano, oarcebispo Dominique Mamberti, disse nesta segunda-feira que uma de suas prioridadesserá fortalecer o diálogo com o mundo muçulmano e que a polêmicasobre o discurso do papa Bento XVI se deve a uma "leitura apressada"de suas declarações. Mamberti, nomeado noúltimo dia 15, tomará posse no início de outubro, e fez essasdeclarações à emissora italiana Rádio24-Il Sole 24 Ore, na qualafirmou que as palavras do papa foram mal interpretadas e que estáconvencido de que o discurso deste domingo do Pontífice durante oÂngelus ajudará a acalmar os ânimos. O arcebispo francês ressaltou que um dos objetivos da diplomaciaé "tentar entender as razões dos outros e a entender as própriasconvicções" e que seu trabalho será fortalecer o diálogo entre asduas religiões monoteístas. Devido às ameaças contra o papa feitas por gruposfundamentalistas islâmicos, as medidas de segurança no Vaticano,sobretudo na praça São Pedro, foram aumentadas e nesta segunda-feira, pelo segundodia, se nota a presença de um maior número de agentes. Todo orecinto está sob constante observação das forças de segurança. Os fiéis que entram no templo têm que passar, como já é normadesde o Jubileu do Ano 2000, pelos detectores de metais. Segundo a Polícia italiana, encarregada de garantir a segurançana praça São Pedro, a vigilância foi reforçada, mas de formadiscreta, para não "turvar" o desenvolvimento normal do dia a fiéise turistas. Alguns dirigentes políticos italianos, como Margherita Boniver,ex-ministra e atual porta-voz da política externa do Forza Itália (opartido de Silvio Berlusconi), e Mario Mauro, vice-presidente doParlamento Europeu, da mesma legenda, se queixaram de que o Ocidentenão tenha saído em defesa de Bento XVI. "Estou indignada perante a débil, inexistente, resposta italianae européia aos ataques contra o papa", disse Boniver. Mauro anunciouque enviou o discurso do sumo pontífice a todos os deputados "paraque se evitem instrumentalizações futuras e o Parlamento Europeuassuma uma posição clara em defesa da liberdade de expressão".

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