AFP PHOTO / Rodrigo BUENDIA
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Lenín Moreno toma posse como presidente do Equador

Em cerimônia no Parlamento, político apoiado por Rafael Correa elogiou a 'revolução cidadã' de seu padrinho político; novo presidente pede ao Brasil que entregue todas as listas de possíveis corruptos relacionados ao caso Odebrecht

O Estado de S.Paulo

24 Maio 2017 | 14h10
Atualizado 24 Maio 2017 | 21h16

QUITO - O novo presidente do Equador, Lenín Moreno, tomou posse do cargo nesta quarta-feira, 24, para o mandato de 2017 a 2021 em uma cerimônia na Assembleia Nacional diante de centenas de convidados. A Assembleia Nacional, em Quito, foi o palco da transferência de poderes entre Correa e Moreno, que em 2 de abril derrotou o conservador Guillermo Lasso no segundo turno das eleições. 

Moreno, de 64 anos e formando em Administração Pública, prestou juramento ao presidente do Parlamento, o governista José Serrano, e recebeu a faixa de seu padrinho político e agora antecessor, Rafael Correa.

"São dez anos como testemunha da construção de estradas, pontes, portos e aeroportos (...) dez anos da recuperação da autoestima e do sentido de pertencimento dos equatorianos. Este processo tem um nome: revolução cidadã", disse Moreno, em seu primeiro discurso como presidente.

O político da Aliança País chega à com o objetivo de fazer avançar o modelo de esquerda conhecido como socialismo do século 21, seguindo o rastro de Rafael Correa.

Apoiado pelo temporário boom do petróleo, o agora ex-presidente do país privilegiou o investimento e a equidade social, mantendo os subsídios ao combustível e à eletricidade durante a década de sua "revolução cidadã", que agora enfrenta dificuldades econômicas.

A dívida externa subiu 150% (para US$ 25,6 bilhões, 26,3% do PIB) na última década, segundo dados oficiais. A economia encolheu 1,5% em 2016 e o preço do petróleo, o principal produto de exportação, caiu de US$ 98 por barril em 2012 para US$ 35 em 2016. No primeiro trimestre deste ano, o preço aumentou para US$ 45 o barril.

Modelo em crise. O modelo Correa, baseado em um Estado investidor e disciplinador da sociedade, está "em crise" e "requer uma bonança econômica para se sustentar", aponta Pablo Ospina, analista da Universidade Andina Simon Bolívar em Quito.

Para o cientista político Simón Pachano, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) em Quito, as perspectivas para Moreno "são difíceis, especialmente sobre a situação econômica", que levou o país à recessão nos últimos trimestres.

No entanto, as expectativas das classes mais pobres seguem intactas. "Espero que Lenín me ajude a ter minha casa. Não quero tudo dado, preciso de facilidades para pagar", disse Trellas Isabel, de 61 anos.

Moreno pretende alcançar uma economia sustentada na eficiência e uma gestão adequada dos recursos, de modo a sustentar a justiça social e equidade fiscal.

O novo presidente anunciou na terça-feira a composição do seu gabinete, integrado por empresários, líderes sociais e funcionários de Correa, como María Fernanda Espinosa e Miguel Carvajal, que serão chanceler e ministro da Defesa, respectivamente.

Moreno, que eliminou seis ministérios coordenadores como o de Política Econômica, entregou a pasta das Finanças a Carlos De la Torre, ex-assessor do Banco Central, e de Hidrocarbonetos a Carlos Pérez, ex-executivo da empresa petrolífera americana Halliburton.

"Este é o momento de renovar os compromissos e enfrentar juntos novos desafios. Vou trabalhar para cada um de vocês", declarou  Moreno ao receber há uma semana a credencial presidencial.

A oposição recuperou terreno na última eleição, aumentando sua presença no Parlamento, onde o governo deixa de ter a maioria qualificada de dois terços para reformar a Constituição. O oficialismo dispõe agora de uma maioria frágil de 74 cadeiras, contra 100 do período 2013-2017.

Odebrecht. O novo presidente do Equador anunciou uma “batalha frontal” contra a corrupção e pediu às autoridades brasileiras e americanas que entreguem todas as listas de possíveis corruptos no país relacionados com o caso Odebrecht.

Moreno disse que impulsionará a criação de uma “frente nacional, pública e privada, para combater a corrupção”, e esta deverá ter uma projeção internacional.

A proposta prevê estabelecer uma comissão com integrantes da sociedade civil e organismos de controle para compor uma entidade com assistência internacional das Nações Unidas para estruturar e aplicar uma política de combate à corrupção.

O Equador espera a publicação das listas de possíveis corruptos no caso da Odebrecht, que devem ser divulgadas no dia 1.º.

Outro caso é o do ex-ministro de Hidrocarbonetos, Carlos Pareja Yannuzzelli, que está envolvido em esquema de corrupção pelo qual estão sendo investigadas cerca de 80 pessoas na estatal de petróleo Petroecuador. / AFP e EFE

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