Leonardo Boff critica série da MTV alemã que satiriza o papa

O teólogo brasileiro Leonardo Boff uniu-se nesta terça-feira às críticas da Igreja alemã à série de desenhos animados "Popetown" ("Cidade do Papa", em inglês), da MTV, que satiriza o Papa, e disse que esta representa a decadência da cultura ocidental. "Fenômenos como este evidenciam até que ponto a decadência da cultura ocidental prosperou", afirmou um dos principais nomes da teologia da libertação, movimento católico de esquerda, em declarações à rede de TV Deutsche Welle-World. A sociedade deve "perguntar-se onde estão os limites" e perceber que, quando estes são ultrapassados, "está-se perto da ruptura da coesão social", acrescentou Boff. O teólogo considera "de mau gosto" a produção de sátiras contra o Vaticano e o Papa, que "insultam a fé de milhões de católicos". A sátira, claro, tem seu espaço na sociedade, acrescentou, "mas tudo tem seus limites, especialmente quando estão em questão valores e símbolos sagrados, como Maomé, o Papa e outros importantes representantes religiosos". Em 1985, Boff teve que cumprir um ano de silêncio devido a decisão tomada pelo então prefeito da Congregação da Fé, Joseph Ratzinger, atualmente Papa Bento XVI. Outras medidas disciplinares seguiram-se até que, em 1992, ele abandonou a ordem dos Franciscanos. Suas críticas se acrescentam às dos bispos alemães contra a série "Popetown", que apresenta um Pontífice louco e excêntrico e um cardeal corrupto e criminoso. O Arcebispado de Munique e Freising anunciou ações legais contra a MTV por considerar a série uma calúnia contra as crenças cristãs.

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