Lésbica de Uganda teme retornar ao país

Brenda Namigadde teve o pedido de asilo político negado por autoridades britânicas duas vezes e tem medo de ter o mesmo fim de David Kato

AP e REUTERS, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2011 | 00h00

Ativistas e defensores dos direitos dos gays entregaram ontem à ministra do Interior britânica, Theresa May, uma petição com mais de 40 mil assinaturas para que a deportação da lésbica ugandense Brenda Namigadde seja anulada. Uganda pune homossexuais com até 14 anos de prisão e o Parlamento do país tem na pauta um projeto de lei que pretende apená-los com a morte ou a prisão perpétua.

Pouco antes de entregar o abaixo-assinado a Theresa, que acumula a pasta das Mulheres e Igualdade, os manifestantes organizaram um ato em homenagem ao ativista gay David Kato, que foi espancado até a morte em sua casa em Kampala, capital de Uganda, na quarta-feira.

Aos 29 anos, Brenda teme ter o mesmo fim caso retorne ao país. A Justiça britânica e a Agência de Fronteiras já recusaram seu asilo político em duas ocasiões, alegando que ela não é homossexual. Até ontem, data prevista para sua deportação, ela estava no centro de detenção de Yarl Wood e a Grã-Bretanha não havia se manifestado oficialmente sobre o pedido dos ativistas.

"Minha vida está em perigo. Não sei o que acontecerá comigo. Estou muito assustada", disse Brenda ao jornal The Guardian. Ela contou que, aos 17 anos, depois que descobriram seu namoro com uma canadense que trabalhava para uma ONG, ambas foram espancadas, ameaçadas e tiveram sua casa incendiada. De formação cristã, ela chegou a ser expulsa da congregação que frequentava.

Brenda contou que sua namorada a ajudou na fuga para a casa de um tio na Grã-Bretanha e voltou para o Canadá.

Sepultamento. David Kato foi sepultado ontem, no mesmo momento em que os ativistas pelos direitos dos homossexuais protestavam em Londres. Cerca de 300 pessoas - 100 deles integrantes da comunidade gay ugandense - foram ao enterro, que acabou em confusão.

O tumulto começou quando o pastor Thomas Musoke, que conduzia a cerimônia, começou a fazer comentários homofóbicos. Amigos de Kato retiraram o pastor do palanque onde fazia o sermão. Depois, as pessoas encarregadas de levar o caixão ao túmulo se recusaram a sepultar o ativista e seus amigos tiveram de realizar o enterro.

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