Yuri Kochetko/EFE
Yuri Kochetko/EFE

Leste boicota, mas Ucrânia vai às urnas e deve escolher Porochenko

Seções eleitorais estão abertas desde manhã, com exceção das situadas em Donetsk, Slaviansk e Lugansk e em regiões sitiadas

Andrei Netto - enviado especial do Estado ,

25 Maio 2014 | 11h21

DONETSK - Eleitores de oeste a leste estão indo às urnas e, em algumas regiões, desafiando autoridades separatistas para votar nas eleições presidenciais que acontecem hoje na Ucrânia. A votação foi aberta pela manhã e registra poucos incidentes até mesmo nas regiões de Donetsk, Slaviansk e Lugansk, onde a maior parte das seções eleitorais foi impedida de abrir por milicianos independentistas e pró-Rússia.

As eleições presidenciais são as primeiras desde o início dos protestos de EuroMaidan, na Praça da Independência, em Kiev, e da crise política que derrubou Viktor Yanukovich em fevereiro. Um total de 36 milhões de ucranianos estão inscritos nas listas eleitorais, mas pelo menos 4 milhões boicotam o pleito ou não conseguem votar nas regiões independentistas do leste, junto à fronteira com a Rússia.

Em Lugansk, onde os confrontos armados prosseguem, horas antes do início das eleições um jornalista italiano morreu atingido por uma granada de obus. Andrea Rocchelli, de 30 anos, era fotógrafo de uma agência independente e já havia trabalhado em regiões de conflito como a Tunísia e a Líbia, durante a Primavera Árabe.

Em razão da tensão militar e da ação de milicianos, em Donetsk as poucas seções eleitorais que tentaram abrir as portas no início da manhã logo foram fechadas. "Se houvesse seções abertas em Donetsk eu votaria em branco, porque todos os candidatos são ladrões", afirmou o comerciário Vladimir F. "Nenhum dos candidatos me agrada e por isso decidi não votar, o que cai bem, porque não há como votar."

O boicote às urnas em Donetsk, Slaviansk e Lugansk, porém, é desafiado por moradores de pequenas cidades, onde escolas e prédios públicos estão abertos, quase de forma clandestina, para receber eleitores. "Eu voto porque sou cidadão da Ucrânia e precisamos escolher um novo presidente para o nosso país", disse a professora Lubow Kovalenko, de Volnovaha, a 70km de Donetsk.

O clima de tensão do leste não se repete em Kiev e Lviv, grandes cidades do oeste da Ucrânia, pró-Europa, onde a adesão à eleição presidencial seria massiva, de acordo com o Ministério do Interior. De acordo com institutos de pesquisas, o bilionário Petro Porochenko somaria cerca de 44% dos votos e tem chances de ser eleito ainda no primeiro turno, derrotando a ex-primeiro-ministro Yulia Timochenko. "A primeira coisa a fazer é trazer a paz a todos os cidadãos ucranianos", afirmou Porochenko após votar em Kiev, já buscando a pacificação do país. "As pessoas armadas devem deixar as ruas, as cidades e vilarejos", exortou.

Para apaziguar a Ucrânia, entretanto, Porochenko terá dificuldades. No sábado à noite, 145 delegados se reuniram em Donetsk para desafiar Kiev e anunciar a criação de um novo país: a "Nova Rússia".

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