Leste da Líbia declara-se região semiautônoma

Cirenaica quer polícia, Parlamento e tribunais próprios; política externa, Exército e petróleo seguem a cargo de Trípoli

BENGHAZI, LÍBIA, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2012 | 03h01

Líderes tribais e comandantes de milícias declararam ontem o leste da Líbia uma região semiautônoma, uma manobra unilateral qualificada pelo governo interino líbio de "perigosa conspiração" financiada por nações árabes para desmantelar o país, seis meses após a queda do ditador Muamar Kadafi. Cerca de 3 mil representantes das facções locais reuniram-se em Benghazi para a declaração, insistindo que a medida não pretende dividir o país.

Os delegados afirmaram que precisam dar mais autonomia à Líbia do Leste - como a região é denominada oficialmente - para pôr fim a décadas de discriminação contra a região, rica em petróleo. "Não estamos falando de mudar a bandeira ou o hino nacional, mas de uma administração diferente", disse o líder tribal Fadl-Allah Haroun.

A conferência declarou que a região oriental - Cirenaica, em latim, ou Barqa, em árabe -, contará com Parlamento, polícia, tribunais e uma capital, Benghazi, a segunda maior cidade líbia e berço da insurreição contra Kadafi. A política externa, o Exército nacional e os recursos petrolíferos deverão continuar sob a responsabilidade do governo central, com sede em Trípoli.

A Cirenaica cobre mais da metade da Líbia. "Algumas nações árabes, infelizmente, deram apoio para que isso acontecesse", disse o líder do governo interino líbio, Mustafa Abdul Jalil, afirmando que "esses países financiam uma luta inaceitável". / AP

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