Levante apartidário é o novo desafio do governo turco

A agitação na Turquia já dura duas semanas. O fato de protestos ambientais terem se tornado políticos, com 3 mortos e mais de 4 mil feridos, é atribuível às palavras teimosas do premiê Recep Tayyip Erdogan, que considera a resistência a seus planos um ato hostil ao Estado. Ele diz que os adversários são extremistas e encoraja a polícia a usar a violência. O resultado do conflito não está definido, mas revela que a Turquia, embora desenvolvendo laços com o Ocidente, ainda está socialmente atrasada.

ANÁLISE: Daniel Steinvorth / Der Spiegel, O Estado de S.Paulo

12 Junho 2013 | 02h10

É evidente que o conflito não melhorou a imagem de Erdogan. Ancara ignorou apelos dos EUA e da União Europeia. Tanto o secretário de Estado americano, John Kerry, quanto seu colega alemão, Guido Westerwelle, pediram moderação. Erdogan, enfurecido, rejeitou. Ao contrário, parece que toda crítica o incita ainda mais a ameaçar os manifestantes.

Mas Erdogan tem um grande número de apoiadores, a maioria no país. Nos bairros conservadores de Istambul e de outras cidades, eles adoram o premiê, filho de um marinheiro que se tornou o político mais poderoso desde Kemal Ataturk, fundador da Turquia moderna.

Erdogan diz que a "velha elite" kemalista e o Partido Republicano do Povo (CHP) tentam explorar a instabilidade da situação. No entanto, ele ignora o fato de que muitos de seus críticos são tão contrários ao CHP quanto ao seu partido, o Justiça e Desenvolvimento (AKP). Segundo pesquisa recente, 85% dos manifestantes não são filiados a nenhum partido. Essa nova oposição não partidária é o novo desafio do premiê.

Erdogan silenciou seus críticos, mandou prender militares, professores e intelectuais. Além disso, tomou medidas contra magnatas da mídia e jornalistas críticos. Mas ele também tem seus méritos. A economia cresceu, ocorreram reformas democráticas importantes, a supremacia dos militares foi quebrada e a pena de morte foi abolida. A Turquia é hoje um país mais rico e moderno. Mas será também mais livre e liberal? / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.