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Levy elogia caminho liberal prometido por argentino

Fontes do governo brasileiro afirmam que situação no país vizinho deve melhorar e ajudar balança nacional

João Villaverde, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2015 | 23h03

O quadro econômico argentino, com a eleição do conservador Mauricio Macri no domingo, deve se mostrar duro logo de início – com a implementação de ajustes considerados necessários por analistas de política econômica –, mas favorável ao Brasil no médio prazo. Segundo fontes da equipe econômica do governo Dilma Rousseff consultadas pelo Estado, um sinal disso é o fato de o presidente eleito da Argentina já ter se manifestado favorável à desvalorização do peso, que deve começar a ocorrer em breve, ainda durante os dias finais do segundo mandato de Cristina Kirchner. Além desse ajuste cambial, alguns preços fortemente subsidiados pelo governo podem sofrer reajustes, como energia elétrica ou gás.

“São ajustes necessários, especialmente em um país com baixo nível de reservas”, comentou uma fonte, que destacou as oportunidades para o Brasil nesse cenário.

“No curto prazo, o ajuste deve provocar inflação e baixo crescimento, mas em pouco tempo o mercado deve apostar no novo governo e aumentar os investimentos”, disse.

Com isso, o crescimento na Argentina pode impulsionar também o comércio exterior com o Brasil e melhorar o humor geral dos investidores estrangeiros em relação à América Latina.

Reação positiva. Nesta segunda-feira, o ministro da Fazenda brasileiro, Joaquim Levy, fez um rápido comentário sobre a possível mudança na economia argentina e deixou claro seu otimismo. “(Macri) traz uma dinâmica favorável ao Brasil. Pela potencialidade do país, certamente muda um pouco a dinâmica se forem pelo caminho de um pouco mais de liberalismo econômico”, disse Levy.

Um integrante de sua equipe comentou que a pauta comercial com a Argentina, que sofreu abalos após decisões unilaterais de Cristina nos últimos três anos, principalmente, e entrou em profunda estagnação por conta do período de campanha eleitoral, deve começar a se destravar no início de 2016.

“Macri assume no dia 10 e deve começar a tomar pé da situação, ouvindo exportadores e importadores de seu país, e buscando os principais parceiros, como o Brasil. No começo do ano que vem, as mudanças devem começar”, disse outra fonte, segundo a qual os brasileiros que exportam para a Argentina devem ter boas notícias no médio prazo.

Indústria. Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) brasileira afirmou esperar que a Argentina, sob Macri, “recupere relevância como parceira estratégica no comércio e no investimento do Brasil”.

Entre janeiro e outubro, as exportações brasileiras para a Argentina caíram 42,4% em relação a igual período de 2011, primeiro ano do governo de Dilma Rousseff.

Segundo dados da CNI, a Argentina deixou de ser também o principal destino dos investimentos brasileiros. Em 2014, o Chile recebeu 41,6% dos investimentos nacionais, ante 25,2% na Argentina.

Segundo a nota da CNI, a queda nos investimentos brasileiros no país, governado por Cristina Kirchner desde 2007, “ocorreu em razão da instabilidade macroeconômica, aliada às políticas restritivas ao capital externo”. / COLABORARAM DANIELA AMORIM, IDIANA TOMAZELLI e MARIANA DURÃO

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