Libanês diz ter ajudado Hezbollah a conduzir operações na Europa

Detido no Chipre, Hossam Yaacoub admite à Justiça que trabalhou para grupo xiita e diz ter agido na França, Holanda e Turquia

LIMASSOL, CHIPRE, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2013 | 02h05

Um acusado de planejar atentados contra alvos israelenses e judaicos na Europa revelou ontem à Justiça do Chipre supostos detalhes sobre as ações do Hezbollah dentro do território europeu. Hossam Taleb Yaacoub, um sueco-libanês de 24 anos, admitiu ser integrante do grupo xiita e ter trabalhado na coleta e troca de informações em países como França, Holanda e Turquia, além do Chipre.

Seu advogado de defesa, porém, negou as acusações da procuradoria cipriota de que Yaacoub se envolvera diretamente na preparação de atentados contra turistas israelenses na ilha europeia. "Fui treinado para defender o Líbano", afirmou o réu, na declaração que leu na corte. Ele foi preso anotando placas de ônibus de turismo que levavam grupos vindos de Israel.

Duas semanas depois de sua prisão, um atentado contra um grupo de turistas israelenses em um aeroporto da Bulgária deixou seis mortos. Esta semana, o governo búlgaro acusou formalmente o Hezbollah pela ação. O julgamento no Chipre amplia a pressão para que a União Europeia coloque o grupo xiita em sua lista de organizações terroristas.

O acusado, que disse trabalhar para o Hezbollah desde 2007, contou como recebia ordens de um homem que ele conhecia apenas pelo nome de Ayman. Nos encontros, de acordo com o réu, seu superior estava sempre com uma máscara e usava códigos para confirmar a identidade.

Yaacoub é proprietário de uma companhia de comércio internacional e visitara o Chipre em 2008. Ele disse que tentava importar para o Líbano suco produzido na ilha. O acusado admitiu ainda que atuou pelo Hezbollah em Antalya, na Turquia, além de Lion e Amsterdã.

Na França, ele disse ter "recolhido bagagens". "Na Holanda, transportei um chip de celular e alguma coisa que estava enrolada em um jornal, mas que eu não sei o que era." O destino das encomendas era o Líbano.

Em meio ao crescente envolvimento do grupo xiita na guerra civil na Síria, ao lado do regime de Bashar Assad, os rebeldes que lutam contra Damasco ameaçaram ontem confrontar o Hezbollah dentro do Líbano. Em entrevista à TV Al-Arabiya, um dos líderes do Exército Sírio Livre, general Salim Idriss, ameaçou: "Nós vamos atacar o grupo e suas armas onde quer que eles estejam". Ontem, o Hezbollah divulgou mais um aviso de que um de seus militantes "morreu fazendo seu dever de jihadista", sem revelar onde ocorrera a morte. Líderes do grupo não admitem publicamente o envolvimento de suas forças no país vizinho. / NYT e REUTERS

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