Libanesa aceita ser extraditada, mas pede proteção

Rana Abdel Rahim Koleilat teria informado na segunda-feira ao governo de Beirute que aceita ser extraditada para o Líbano, mas pediu ao governo libanês garantias de que sua vida será protegida. As informações são de representantes do governo do Líbano no Brasil. Eles revelaram que investigações preliminares indicam que Rana seria responsável por conceder créditos no valor de US$ 800 milhões a grupos sírios durante o período em que foi executiva do Banco Al-Madina. O Grupo Estado teve acesso ao conteúdo das investigações da ONU, as quais apontam que a suspeita seria peça-chave para descobrir como o atentado foi financiado. Durante a noite de domingo, o próprio primeiro-ministro libanês, Fuad Siniora, ligou várias vezes para o Consulado do Líbano em São Paulo para acompanhar o caso. Siniora garantiu que a vida dela não estará ameaçada enquanto estiver sob a guarda do Estado libanês. Segundo as investigações, parte dos US$ 800 milhões em créditos dados a sírios poderia ter sido utilizada no atentado. O Banco Al-Madina foi o mesmo usado na década de 80 pelo ex-ditador iraquiano Saddam Hussein para depósitos. De acordo com as mesmas fontes, antes de ser levada para a delegacia em São Paulo Rana chamou cinco advogados que tentaram negociar com a polícia as condições da prisão. Difusão Vermelha O Departamento de Estrangeiros do Ministério da Justiça vai entrar em contato nesta terça-feira com o governo do Líbano para saber do seu interesse na extradição da libanesa Rana Abdel Rahim Koleilat. Presa domingo passado em São Paulo, Rana é suspeita de integrar a conspiração para o atentado que matou o ex-primeiro-ministro libanês, Rafic Hariri, em fevereiro de 2005. A Pedido do Ministério da Justiça, a Polícia Federal levantou ontem que Rana está citada na lista chamada Difusão Vermelha, compartilhada pelos 184 países membros da Interpol, que contém os nomes de criminosos internacionais procurados pelo mundo. O levantamento é preliminar porque oficialmente o governo federal não foi acionado para entrar no caso. Ainda em caráter preliminar, o Ministério da Justiça pediu à Polícia Civil de São Paulo que repasse todas as informações, para que o governo federal possa dar uma resposta rápida, tão logo o governo libanês e a Interpol confirmem o pedido de extradição.

Agencia Estado,

14 Março 2006 | 01h43

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