Libanesa presa em São Paulo é investigada pela ONU

A libanesa Rana Abdel Rahim Koleilat, presa pela polícia paulista na noite de domingo em um flat no bairro de Santana, em São Paulo, é procurada por uma comissão do Conselho de Segurança da ONU que investiga o assassinato do ex-primeiro-ministro libanês, Rafic Hariri. Ela foi detida ao tentar subornar os policiais que a abordaram. Em nota divulgada nesta segunda-feira, o Setor de Investigações Gerais (SIG) da 7ª Delegacia Seccional de São Paulo, em Itaquera, afirma que o depoimento de Koleilat é de vital importância para o esclarecimento do atentado que matou Hariri em fevereiro de 2005. A informação teria sido passada em missiva encaminhada à polícia pelo Consulado Geral do Líbano no Brasil, em nome do cônsul Joseph Sayah. A carta do consulado do Líbano afirma também que Koleilat é procurada por autoridades libanesas por "uma questão judicial não resolvida". Para chegar a Koleilat, a polícia civil recebeu, no início da semana passada, uma denuncia anônima de que uma mulher procurada internacionalmente estaria hospedada em um flat localizado na avenida Luiz Dumont Vilares, em Santana, zona norte de São Paulo. Para confirmar a veracidade da informação, o denunciante, de sotaque estrangeiro, teria encaminhado à delegacia um pedido de localização expedido pela Interpol. O comunicado à imprensa divulgado pela 7ª delegacia seccional de polícia cita a solicitação da Interpol. Segundo a nota da polícia, a polícia internacional estaria procurando Koleilat por "diversos crimes de falsificação de documentos, apropriação indébita de fundos e emissão de cheques sem provisão de fundos". Antes de prender Koleilat, policiais monitoraram o flat em que ela estava hospedada. Ao ser abordada pelos policiais, a libanesa teria se identificado, com o auxílio de um passaporte supostamente emitido pela Irlanda do Norte, como Rana Klailat. A polícia informa ainda que, encaminhada ao SIG para prestar esclarecimentos, Koleilat ofereceu dinheiro - em três tentativas sucessivas de R$ 50, R$ 100 e R$ 200 mil - para que fosse solta, atitude que lhe rendeu uma autuação em flagrante. A pena para o crime de tentativa de suborno pode variar de um a oito anos de reclusão. Atentado O atentado contra Rafik Hariri ocorreu no dia 14 de fevereiro de 2005 em Beirute, quando uma potente explosão matou o ex-primeiro-ministro e outras nove pessoas. Mais de cem pessoas ficaram feridas. Ex-aliado da Síria, Hariri integrava a campanha pelo fim da ingerência de Damasco no Líbano. Em outubro, ele renunciou ao cargo de primeiro-ministro por não concordar com a extensão do mandato do presidente Emile Lahoud, com quem não se entendia. Hariri continuou sendo uma figura política influente. O crime causou comoção e havia suspeita de que serviços de inteligência da Síria e do Líbano estivessem envolvidos.

Agencia Estado,

13 Março 2006 | 17h19

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