Libaneses fazem fila para receber assistência do Hezbollah

Centenas de libaneses se candidataram nesta quarta-feira para receber ajuda do Hezbollah para o pagamento de aluguel, para reconstrução de moradias e até mesmo para compra de mobília nova, numa campanha em massa que provavelmente tornará o grupo ainda mais popular.O líder do grupo muçulmano xiita, xeque Hassan Nasrallah, apareceu na tevê no começo da semana pouco depois de entrar em vigor um cessar-fogo com Israel e prometeu ajudar na reconstrução do Líbano, oferecendo inclusive dinheiro a civis que tiveram suas casas destruídas para o pagamento de aluguel até que as residências sejam reconstruídas.Nasrallah não contou de onde viria o dinheiro, mas historicamente o Irã é a fonte primária de verbas e armas do grupo. Acredita-se que o governo iraniano tenha aberto seus cofres para ajudar no programa de reconstrução.O Hezbollah opera uma rede de escolas, creches, hospitais e associações beneficentes, financiada pelo Irã, com o qual ganha amplo apoio entre a comunidade xiita libanesa. Sua disposição de tomar a frente na reconstrução deve trazer ao grupo ainda mais crédito.Dezenas de milhares de pessoas retornaram a suas bombardeadas vilas no leste e sul do Líbano, assim como nos bairros sulistas de Beirute, e encontraram suas casas danificadas ou completamente destruídas pelos ataques israelenses. Segundo Nasrallah, 15 mil residências foram atingidas durante a guerra.Em um improvisado centro de registro montado hoje na Escola Pública Haret Hreik, centenas de pessoas relatavam a integrantes do Hezbollah espalhados em diversas salas os danos que suas casas sofreram. Os integrantes do grupo militante anotavam os nomes das pessoas, os danos relatados e prometiam ajudar na reconstrução.Salim Kenaan foi em uma das classes e prestou atenção nas instruções pregadas na parede. No lado esquerdo tinha a placa "Danificada", e no direito, "Destruída". Ele deu seu nome, endereço e telefone ao homem sentado sob o sinal da direita. "Vamos entrar em contato com você em breve", disse o membro do Hezbollah a Kenaan. "Minha casa foi totalmente destruída. Depois que ouvi o discurso do xeque Nasrallah, comecei a procurar um apartamento", relatou.Na cidade sulista de Tiro, o comandante do Hezbollah no sul do Líbano, Nabil Kaouk, adiantou que o objetivo do grupo é "trazer a vida de volta para o sul do Líbano e reconstruí-lo melhor do que era antes da guerra". O clérigo com turbante branco estava na frente de um prédio destroçado onde ele tinha um escritório.Ele disse que o Hezbollah avalia que será necessário um ano para as pessoas reconstruírem suas casas. Enquanto isso, continuou, a organização vai pagar o aluguel para aqueles que perderam suas casas. O Hezbollah entregará por meios próprios os recursos, e não usará agências governamentais, explicou.O oficial do Hezbollah responsável pelo centro em Haret Hreik não tinha o número exato dos que se registraram para receber ajuda. O homem, que pediu para não ter seu nome divulgado por razões de segurança, disse que cerca de 190 residências foram destruídas e cerca de 90 foram fortemente danificadas nos subúrbios sulistas de Beirute.Se necessário, o Hezbollah também enviará trabalhadores para fazerem os reparos e a reconstrução.Centenas de trabalhadores estavam nas ruas dos subúrbios sulistas nesta quarta-feira, limpando as ruas e removendo os destroços. Algumas áreas foram completamente isoladas por integrantes do Hezbollah a fim de evitar furtos e apenas moradores podiam passar depois de receberem passes especiais.Ahmed al-Mileeji, um palestino de 67 anos que vive desde 1979 em Haret Hreik, se registrou para receber ajuda pela destruição de sua casa, que era localizada ao lado da estação de tevê Al-Manar, do Hezbollah. "Eles vão me dar dinheiro para pagar o aluguel e comprar mobília. Eu também vou ter meu flat de volta em um ano", disse, tendo em mãos os documentos que provavam que ele era proprietário do flat.O integrante do Hezbollah na escola pública afirmou que todos os prédios serão reconstruídos exatamente como eram."Vamos usar as mesmas plantas", adiantou. "Vamos dar a eles seus flats de volta, só que serão flats novos."

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