Libaneses protestam diante de órgão tributário

Centenas de libaneses fizeram na terça-feira uma manifestação diante do prédio de um órgão tributário do país, num protesto apoiado pelo Hezbollah contra o programa de reformas econômicas do governo. A oposição disse que o ato, convocado pela principal central sindical libanesa, sinaliza a primeira escalada na sua campanha iniciada há 40 dias para derrubar o primeiro-ministro Fouad Siniora. Centenas de policiais e soldados isolaram o prédio onde funciona o departamento de arrecadação do IVA (imposto sobre valor agregado), um órgão do Ministério das Finanças, perto do Museu Nacional. O tráfego foi prejudicado. Os organizadores também montaram um cordão de isolamento entre os manifestantes e a polícia, aparentemente para evitar confrontos. "Os trabalhadores do Líbano estão dispostos a fazer sacrifícios apenas com um governo limpo", dizia um cartaz levado pelos manifestantes. "Siniora é responsável por empobrecer o Líbano", afirmava outro. "A primeira coisa que queremos é um governo limpo", disse o manifestante Ralph Khoury, de 18 anos, à Reuters. "O protesto é contra a taxação, para que as pessoas possam viver livres e tranqüilas em seu país", acrescentou Ali Khaled, de 35 anos. Há manifestantes acampados desde 1o de dezembro em frente ao gabinete de Siniora, no centro de Beirute, para exigir sua renúncia. O premiê tem apoio dos Estados Unidos, da Europa e da Arábia Saudita. Na semana passada, o governo divulgou reformas econômicas que serão apresentadas no dia 25, em Paris, numa conferência de doadores internacionais, com a qual Beirute espera ajuda para recuperar sua economia e infra-estrutura, devastadas pela guerra de meados de 2006 entre Israel e o Hezbollah. O plano inclui uma reforma tributária e a elevação do IVA a partir de 2008. A central sindical rejeitou os aumentos tributários e também as propostas de elevação do preço de combustíveis e privatizações. Os trabalhadores reivindicam ainda aumentos dos salários para empregados de baixa renda. A oposição prometeu na segunda-feira protestos diários diante de prédios públicos até que Siniora aceite dar mais espaço a seus adversários no governo ou convoque eleições antecipadas. Os aliados de Siniora, uma frente anti-Síria que tem maioria parlamentar, acusam o Hezbollah de tentar sabotar a economia libanesa para ajudar seus patrocinadores sírios, que têm grande influência sobre o Líbano. O Hezbollah, xiita, tem apoio também do Irã e é a principal força da oposição libanesa, que também inclui cristãos e algumas personalidades druzas e sunitas.

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