Libaneses usam memória de Hariri para criticar oposição

Protestos organizados por milhares de libaneses transformaram as comemorações do segundo aniversário de morte do ex-premiê Rafik al-Hariri em oportunidade para demonstrar oposição à Síria e atribuir os problemas políticos do Líbano ao Hezbollah.A data homenageia o líder assassinado em um atentado a bomba no centro de Beirute, mas manifestações ocuparam o lugar do luto e da tristeza. As explosões ocorridas nesta terça-feira em uma área cristã só aumentaram a vontade dos manifestantes pró-governo de mostrar sua indignação na praça dos Mártires, afirmaram eles."Bombas não fazem diferença para a gente. Não temos medo", disse Khadijah Dabtiyeh, de 36 anos, entre milhares de soldados que se acumulavam em uniforme de combate na praça. "Independentemente do que aconteça, estaremos aqui. Mesmo se aviões nos bombardearem, jamais teremos medo", disse Daad Oud, 52. Muitos libaneses culpam a Síria pelo assassinato de Hariri, no dia 14 de fevereiro de 2005. O crime causou uma onda de revolta contra o domínio sírio, o que acabou precipitando o fim da presença militar síria no Líbano, que já durava 29 anos. Dois anos depois, aqueles que apóiam o governo sunita culpam o Hezbollah de no mínimo cumplicidade nos ataques. "O primeiro parceiro da Síria é o Hezbollah. Eles (o Hezbollah) condenam os atos, mas nunca acusam", disse Nahla Zehayri, 35, que se dirigia para o ato público. "O interesse deles no incidente de terça-feira é semear o medo no povo libanês. Mas estamos aqui para fazê-los acordar", disse Jamila, mãe de Zehayri. O Líbano está politicamente paralisado, já que o governo recusa-se a ceder às reivindicações da oposição liderada pelo Hezbollah, que quer ter mais poder de veto numa nova administração. Barricadas e arame farpado separavam manifestantes pró-governo dos oposicionistas, que estão acampados desde 1o de dezembro perto da sede do governo. Os manifestantes governistas também acusam a oposição de estar fomentando os conflitos sectários, que mataram nove pessoas e feriram quase 400 no mês passado. "Eles (a oposição) estão nos empurrando para a guerra civil. Estão nos cercando. Nunca quisemos o sectarismo", disse Ibtisam Naseef, 40.BombardeiosO dia 14 de fevereiro lembra a morte do ex-primeiro ministro, assassinado em um ataque a bomba na capital do Líbano no mesmo dia, em 2005. 22 outras baixas foram somadas, entre elas a do deputado Bassel Fleihan.Os Estados Unidos reafirmaram hoje seu apoio à liberdade e à democracia no Líbano e exigiram "a verdade" por trás do assassinato de Rafik Hariri."Os Estados Unidos se juntam ao povo libanês ao exigirem averdade por trás do assassinato do primeiro-ministro Hariri e à convocação para que um Tribunal Especial para o Líbano leve à Justiça" os responsáveis, disse o presidente George W. Bush em um comunicado.Este episódio marcou o início de um profundo afastamento noLíbano entre os que acusavam a Síria de estar por trás do atentado, representados pelo Governo de Fouad Siniora, e os opositores, entre os quais aparecem o grupo xiita Hisbolá e o presidente cristão Émile Lahoud.Além disso, o presidente dos EUA condenou os atentados da última terça contra dois ônibus no nordeste de Beirute e disse que aqueles que perpetraram estes ataques "não silenciarão as exigências do povo libanês de Justiça e democracia em um Líbano independente".Na véspera das comemorações deste ano, dia 13, um atentado também executado com bombas, instaladas em microônibus, explodiram deixando três mortos e ao menos 20 feridos. Segundo Saad Hariri, filho ex-premiê, o ataque teria sido uma tentativa de impedir as comemorações.As comemorações desse ano começaram sob tensão, devido aos atentados de ontem. Milhares de libaneses reuniram-se no centro de Beirute nesta manhã.

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