Líbano: acordo franco-americano não sai, e Rússia propõe cessar-fogo temporário

Diante do impasse criado pela rejeição libanesa de uma nova proposta que ponha um fim nas hostilidades entre Israel e a guerrilha xiita Hezbollah, a Rússia distribuiu nesta quinta-feira aos membros do Conselho de Segurança da ONU um rascunho de resolução que propõe um cessar-fogo humanitário de 72 horas na região. Segundo a diplomacia russa, a crise estava alcançando proporções "catastróficas" e a situação é urgente demais para que se espere mais tempo por uma medida separada desenvolvida pelos Estados Unidos e França. Os dois países negociam uma resolução para pôr fim ao conflito há vários dias, e fontes citadas pelo jornal israelense Haaretz e pela rede de TV americana CNN chegaram a afirmar nesta quinta-feira que um acordo entre as duas partes havia sido firmado. Até mesmo o embaixador americano na ONU, John Bolton, chegou a afirmar que o rascunho poderia ser votado pelo Conselho de Segurança já nesta sexta-feira. No entanto, de acordo com agência France Presse, o Líbano não aceitaria a proposta, pois considera que o texto não prevê um cessar-fogo imediato. Mais de 800 libaneses já morreram no confronto."Essas atividades diplomáticas não estão sendo conduzidas em um calmo ambiente acadêmico", disse o embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin. "A guerra está explodindo no Líbano, e a situação humanitária é catastrófica", completou.De acordo com Churkin, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, apóia a proposta de um cessar-fogo de 72 horas. O embaixador disse também que o rascunho russo pedirá que os diplomatas acelerem seus esforços para alcançar uma solução política para a questão.Ele afirmou ainda que a Rússia quer que a resolução seja votada na noite de sexta-feira, o que daria as 24 horas necessárias para que os outros membros do conselho consultem seus governantes."Não estamos brincando"A proposta, no entanto, não agradou os Estados Unidos - um dos países com poder de veto no Conselho de Segurança. Para Bolton, não é produtivo tirar o foco das discussões entre americanos e franceses. "Nós não estamos aqui brincando", disse ele. "Isso é muito sério."Antes de anunciada a negativa libanesa, a previsão era de que o Conselho de Segurança da ONU iniciaria já na sexta-feira as discussões para a aprovação de uma resolução que ponha fim no conflito. Segundo fontes citadas pelo Haaretz e pela CNN, Estados Unidos e França estariam muito próximos de um rascunho, e apenas alguns detalhes precisariam ser azeitados para que o texto fosse levado a votação.Em Jerusalém, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, chegou a dizer que a nova proposta franco-americana "é significativa e pode representar um fim para a guerra".Mais cedo nesta quinta-feira, Olmert havia anunciado que Israel diminuiria a intensidade dos ataques contra alvos do Hezbollah com o objetivo de dar chances para que o processo diplomático leve a um cessar-fogo na região.

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