Líbano adia consultas para formação de novo governo

País enfrenta crise política desde saída da oposição do gabinete de Saad Hariri

Associated Press

17 de janeiro de 2011 | 09h18

BEIRUTE - O gabinete presidencial do Líbano informou nesta segunda-feira, 17, que as consultas para a formação de um novo governo foram adiadas para a próxima semana.

 

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As negociações, que durariam dois dias, estavam marcadas para esta segunda-feira, lideradas pelo presidente Michel Suleiman. Ele decidiu pelo adiamento pelo bem dos "interesses nacionais", informou o gabinete.

 

O Líbano busca um novo governo depois que o bloco opositor, que inclui o partido radical xiita Hezbollah, abandonou o gabinete do premiê Saad Hariri e causou o colapso do governo.

 

A decisão dos opositores se deu pela relutância do governo de Hariri em se opor às investigações da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a morte de seu pai, o ex-primeiro-ministro Rafik Hariri. Especula-se que membros do Hezbollah sejam indiciados por participação no assassinato do líder libanês em 2005.

 

O Hezbollah afirma que Saad Hariri se rendeu às pressões do Ocidente e afirma que as investigações sobre o assassinato de Rafik Hariri são uma armação de Israel contra o partido libanês.

 

A composição do governo libanês é sempre fruto de prolongadas negociações e é formado por 30 ministros. O atual bloco opositor é formado por xiitas e cristãos, enquanto o governista, do premiê Hariri, é composto por sunitas e cristãos radicais.

 

A lei libanesa prevê que todo governo deve incluir representantes de todas as religiões do país - xiitas. sunitas, druzos e cristãos. Com a saída da oposição e do Hezbollah, a coalizão torna-se ilegal, já que não tem representantes xiitas.

 

O Líbano é um Estado sectário, já que não existe maioria religiosa. Os cristãos, sunitas e xiitas representam aproximadamente um terço da população cada. Censos não são realizados, o que inviabiliza a determinação de números exatos.

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