Líbano cobra explicações de embaixadora dos EUA

O ministro interino de Relações Exteriores do Líbano convocou hoje para uma reunião a embaixadora dos Estados Unidos no país, Maura Connelly, por sua suposta interferência na crise política libanesa. A embaixadora reuniu-se, ontem, com o parlamentar cristão Nicolas Fattoush. "O ministro Ali al-Shami considera este tipo de comunicação uma interferência nos assuntos internos do Líbano", disse o ministério em comunicado.

AE, Agência Estado

17 de janeiro de 2011 | 13h06

O encontro de Connelly com Fattoush ocorreu após a queda do governo de Saad Hariri, provocada pela saída de 11 ministros ligados ao Hezbollah. Fattoush já foi aliado do governo pró-Ocidente de Hariri, mas rompeu com o bloco. Um funcionário da embaixada norte-americana confirmou o encontro entre ele e Connelly, mas afirmou que Washington não quer interferir na política libanesa. "A embaixadora reuniu-se hoje com o ministro interino de Relações Exteriores. Ela explicou a ele que os EUA têm contato regular com personalidades de todo o espectro político libanês e que isso é parte de sua missão diplomática", afirmou o porta-voz.

"Os EUA não interferem em assuntos políticos internos do Líbano. O formato e a composição do governo são, obviamente, um assunto libanês", disse o funcionário da embaixada, afirmando que seu país espera que todos os partidos do país cooperem na formação de um novo governo.

As negociações de grupos parlamentares para a escolha de um novo primeiro-ministro estavam marcadas para hoje, mas foram adiadas para a semana que vem, em meio a esforços locais e regionais para acalmar a crise política.

O Hezbollah e seus aliados, que recebem apoio do Irã, deixaram o gabinete de governo na última quarta-feira por causa do Tribunal Especial para o Líbano, coordenado pela Organização das Nações Unidas. O tribunal investiga o assassinato de Rafiq Hariri, pai de Saad, morto em 2005.

O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, espera que altos integrantes do grupo sejam indiciados pelo tribunal que, segundo ele, está sob controle dos EUA e de Israel. Funcionários libaneses disseram que o promotor do tribunal, Daniel Bellemare, vai submeter os indiciamentos a um juiz hoje. As informações são da Dow Jones.

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