Líbano começa a se preocupar com abastecimento

Os libaneses começam a se preocupar com a possibilidade de encontrarem problemas de abastecimento, tanto de gasolina como de pão e outros produtos básicos. Nesta sexta-feira, a população foi em massa a supermercados comprar arroz, macarrão e alimentos não perecíveis, com medo de que os conflitos armados entre o Líbano e Israel, intensificados nos últimos dias, piore ainda mais. O Governo do Líbano tenta tranqüilizar a população. O presidente da Associação de Proprietários de Padarias, Samir Kazem, assegurou a todos que a quantidade de farinha armazenada é suficiente para "várias semanas". Quanto ao combustível, as mensagens são mais contraditórias, já que o presidente dos importadores de carburantes, Bahige BuHamza, afirmou que existem quantidades suficientes de gasolina, gás e petróleo que vão segurar por semanas o mercado, enquanto o presidente da Associação de Postos de Gasolina, Sami Brax, se mostrou preocupada com a quantidade de gasolina no país, suficiente apenas para abastecer a população por "quatro ou cinco dias". O conflito entre Líbano e Israel se intensificou nos últimos dias, especialmente quando Israel atacou o aeroporto internacional de Beirute, capital do Líbano, bloqueou portos libaneses e atacou a rede de televisão do Hezbollah. Estima-se que os ataques já mataram pelo menos 61 pessoas no país. As ações de Israel foram uma continuação da represália contra o Líbano, que realizou um intenso ataque com foguetes lançados pelo Hezbollah e, além de capturar dois soldados israelenses, matou oito soldados. Num dos bombardeios de Israel, dez pessoas de uma mesma família acabaram morrendo, entre elas quatro brasileiros, em uma aldeia no sul do Líbano, de acordo com a rede Globonews. É o pior conflito entre os dois países dos últimos 24 anos. Ataques contra IsraelO Hezbollah também lançou foguetes contra outras quatro cidades do norte de Israel, matando uma mulher de 40 anos em Nahariya e um homem em Safad. Um vice-líder do Hezbollah negou que o ataque contra Haifa, uma importante cidade portuária israelense em que vivem 270 mil pessoas, tenha sido perpetrado por membros do grupo. Mas Israel culpou os militantes, que mais cedo haviam alertado que retaliariam contra a cidade caso Beirute fosse atingida.O embaixador de Israel nos Estados Unidos, Daniel Ayalon, classificou o ataque à cidade como "uma grande escalada".A dura resposta de Israel às ações do Hezbollah também foi defendida pelo presidente dos EUA, George W. Bush, que disse que o país tem o direito de se defender. Segundo Bush, o Hezbollah é um "grupo de terroristas que quer frear os avanços do processo de paz".O presidente americano ponderou, no entanto, que a ofensiva israelense pode prejudicar a coalizão anti Síria que atualmente governa o Líbano. "Estamos preocupados com a frágil democracia no Líbano", disse Bush, em visita a Alemanha. Os governos europeus e do mundo árabe também expressaram preocupação de que a ofensiva no Líbano possa levar a uma espiral de violência incontornável em uma região volátil e tomada pelos conflitos no Iraque e em Gaza.Preso entre os dois lados combatentes, o governo libanês pediu que o Conselho de Segurança da ONU imponha um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah.Mas Israel já alertou que está determinado a derrotar o Hezbollah, além de prevenir que o grupo ocupe posições próximas à fronteira norte do país."Se o governo libanês falhou em derrotar o Hezbollah, como se esperava de um país soberano, nós não podemos permitir que forças do grupo permaneçam próximas às fronteiras do Estado de Israel", disse o ministro da Defesa, Amir Peretz.Pânico nas ruasOs alertas de Israel de que há mais por vir causaram pânico em Beirute, diminuindo o tráfico nas ruas e levando as pessoas a permanecerem em suas casas. Outros esvaziaram as prateleiras dos supermercados em busca de mantimentos para um longo período de incertezas, enquanto filas se formaram em postos de gasolina.Milhares de pessoas - entre turistas estrangeiros e cidadão libaneses - tomaram a estrada que liga Beirute a Damasco, a única ligação do país com o resto do mundo depois que o aeroporto foi fechado. Mais tarde, Israel bloqueou também essa saída, bombardeando dois trechos da estrada.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.