Líbano diz não ser necessário o envio de tropas da ONU à fronteira com a Síria

O primeiro-ministro do Líbano, Fuad Saniora, evitou os insistentes pedidos de Israel para que forças internacionais sejam enviadas próximo à fronteira com a Síria e afirmou nesta quinta-feira que as tropas libanesas já posicionadas lá não representam ameaça ao seu vizinho árabe.Israel informou que seu bloqueio aéreo e marítimo, imposto ao Líbano desde o início do conflito, em 12 de julho, continuará até que os soldados da força de paz das Nações Unidas mantenham posições ao longo da fronteira libanesa com a Síria para prevenir o rearmamento do Hezbollah. A Síria e o Líbano há anos mantêm uma relação diplomática conturbada. Damasco virtualmente controlou o Líbano por quase três décadas antes de retirar suas tropas no ano passado. Quando ocorreu a ofensiva israelense contra as milícias libanesas do Hezbollah no mês passado, a Síria manteve-se em silêncio. Até agora.O presidente sírio, Bashar Assad, rompeu o silêncio e se disse totalmente contra o pedido israelense de forças de paz próximas à sua fronteira. Para ele, tal medida seria "hostil" e teria como objetivo danificar as já abaladas relações entre os países vizinhos. Assad acrescentou que não há motivos para que forças internacionais policiem a fronteira entre dois países que não estiveram em guerra.Caso as tropas da ONU sejam mesmo enviadas à região, a tarefa de policiar a fronteira, muito montanhosa, poderá se mostrar quase impossível. O Líbano tem apenas quatro vias oficiais para a Síria. Porém, há dezenas de passagens clandestinas, muitas delas utilizadas por contrabandistas durante séculos , e que podem muito bem servir como via para veículos modernos. Outra característica que deve ser levada em conta é a possível necessidade do Hezbollah de adquirir novos armamentos. Segundo estimativas israelenses, a milícia lançou cerca de 4.000 foguetes contra o norte de Israel. Desse modo, acredita-se que ainda restem cerca de 8.000 foguetes. Há ainda a ampla especulação de que o Exército sírio deixou um grande arsenal para o Hezbollah quando as tropas se retiraram do Líbano, em abril de 2005.Saniora ressaltou em uma entrevista a uma rede de televisão francesa a dificuldade que enfrenta ao tentar conciliar as exigências israelenses com as sírias. "Posicionamos o Exército libanês na fronteira (com a Síria), e não tivemos a intenção de sermos hostis com a Síria. Queremos uma relação cordial com a Síria e nós estamos cuidando do caso da fronteira para prevenir qualquer infiltração no Líbano", disse o primeiro-ministro. Seu gabinete se encontrou nesta quinta-feira para apoiar o cessar-fogo e pedir para a comunidade internacional enviar tropas ao país. Desse modo, o Exército libanês estaria livre para patrulhar as fronteiras. Porém, segundo um comunicado emitido pelo ministro das Informações libanês Ghazi Aridi, não foi solicitado que as tropas da ONU patrulhem a fronteira com a Síria.

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