Líbano diz que tanques sírios bombardearam cidade na fronteira

Testemunha contou ter visto explosões e fumaça; maioria dos moradores fugiu de Al-Aridha

BBC Brasil, BBC

19 de maio de 2011 | 12h21

Uma autoridade das forças de segurança do Líbano afirmou à BBC que tanques da Síria bombardearam nesta quinta-feira a cidade de Al-Aridha, na fronteira entre os dois países, mas ainda em território sírio.

Uma testemunha contou que conseguiu ouvir grandes explosões e ver fumaça na região.

De acordo com Jim Muir, correspondente da BBC no vilarejo de Wadi Khaled, também na região de fronteira, o Exército libanês diz que os tanques sírios atacaram Al-Aridha, incendiando várias casas, nas primeiras horas desta quinta-feira.

Soldados e forças de milícia entraram na cidade em seguida e foi possível vê-los se movendo pelas ruas desertas, assumindo postos nos telhados das casas e em volta do reservatório elevado de água, com uma vista privilegiada da cidade.

O vilarejo de Wadi Khaled fica muito próximo de Al-Aridha, do outro lado de um pequeno rio. Muir afirma que foi possível ouvir disparos de armas pequenas e de artilharia pesada.

Segundo o correspondente da BBC na região, Al-Aridha está quase totalmente abandonada. A maioria dos moradores da cidade fugiu nos últimos dias, atravessando a fronteira para o Líbano.

Ao todo, cerca de 5 mil sírios, de Al-Aridha e da cidade de Tel Kalakh, que é um pouco mais distante da fronteira, teriam se refugiado no Líbano.

Esta última cidade foi cercada pelas forças sírias há vários dias, e civis teriam sido atacados. Ativistas afirmam que pelo menos 27 pessoas foram mortas na região.

Sanções

Em Damasco, o governo da Síria condenou as sanções impostas pelos Estados Unidos na quarta-feira contra o presidente sírio, Bashar Al-Assad, acusado de cometer abusos de direitos humanos na repressão às manifestações pró-democracia que ocorrem no país desde março.

"As sanções não afetaram e não vão afetar a vontade independente da Síria", disse uma autoridade do governo sírio ao canal de televisão estatal.

O governo da Síria disse ainda que as sanções são parte de uma estratégia americana para servir aos interesses de Israel.

Na quarta-feira, antes do anúncio das sanções americanas, Assad admitiu, em entrevista a um jornal sírio, que as forças de segurança do país "cometeram alguns erros" ao responder às manifestações contra o governo.

Segundo o presidente sírio, o problema foi a falta de treinamento das forças de segurança para atuar em eventos com a dimensão dos atuais protestos populares, que se espalham por várias cidades do país.

 

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