Jack Guez/AFP
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Líbano e Israel anunciam início de negociações de fronteiras

Reuniões serão mediadas pelas Nações Unidas; EUA consideram o anúncio como um 'acordo histórico'

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2020 | 21h52
Atualizado 01 de outubro de 2020 | 23h06

TEL-AVIV - Líbano e Israel anunciaram nesta quinta-feira, 1º, que iniciarão negociações sobre suas disputadas fronteiras marítimas e terrestres. Para o governo americano, tratou-se de um "acordo histórico" entre os dois países, que estão tecnicamente em guerra. As Nações Unidas serão responsáveis pela mediação dos encontros.

O anúncio foi feito pelo presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, durante uma entrevista coletiva transmitida por redes de TV locais. 

Os EUA desempenharão um papel facilitador durante as negociações, que serão realizadas na cidade fronteiriça de Naqura, no sul do Líbano, disse Berri, sem fornecer uma data precisa para o início das negociações.

"Com relação à questão das fronteiras marítimas, as reuniões serão realizadas na sede das Nações Unidas e em Naqura sob a bandeira da ONU", declarou Berri. "As reuniões serão sediadas no escritório do Coordenador Especial da ONU para o Líbano (UNSCOL)", acrescentou. 

Em 2018, o Líbano assinou um primeiro contrato de perfuração para prospecção de petróleo e gás em suas águas territoriais, principalmente em uma área em disputa com o vizinho Israel.

O governo israelense indicou em maio de 2019 que havia concordado em iniciar conversações com o Líbano, com os EUA como mediadores, para resolver o conflito por suas fronteiras marítimas. 

Em 8 de setembro, o subsecretário de Estado americano para Assuntos do Oriente Médio, David Schenker, anunciou "progresso" e disse que esperava "assinar um acordo nas próximas semanas". 

Israel afirmou que as negociações seriam "diretas" e ocorreriam após o feriado judaico de Sucot, que termina em 10 de outubro, segundo nota do gabinete do ministro israelense da Energia, Youval Steinitz.

'Histórico'

"Este acordo histórico entre as duas partes foi negociado pelos EUA e é o resultado de quase três anos de intenso envolvimento diplomático" por embaixadores americanos, disse o secretário de Estado, Mike Pompeo, em comunicado. "O anúncio de hoje é um passo vital que atende aos interesses do Líbano e de Israel, da região e dos EUA", afirmou. Pompeo acrescentou que espera um início "em breve" para as negociações. 

Quanto à fronteira terrestre, Pompeo disse que os Estados Unidos estão se inclinando para "conversas separadas com especialistas para definir questões não resolvidas relacionadas à Linha Azul", que separa esses dois países. Essas discussões seriam "mais um passo positivo para a estabilidade regional", disse. 

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gabi Ashkenazy, agradeceu a "Mike Pompeo e sua equipe por seus esforços" em um comunicado. Os EUA vêm prestando consultoria sobre esse assunto nos dois países há quase uma década. 

O esboço do acordo prevê, além do litígio marítimo que envolve uma área de 860 km², negociações sobre "fronteiras terrestres relacionadas com a Linha Azul" e a assinatura de um acordo "entre o Líbano, Israel e a Força Interina da ONU para o Líbano (Unifil)", disse Berri. 

A Unifil deu as boas-vindas ao acordo, declarando sua disposição de "fornecer total apoio e facilitar os esforços para resolver a disputa".

'Necessária' para o Líbano

A resolução do litígio de fronteira é vital para o Líbano, que está atrasado na exploração de seus recursos offshore e atolado em sua pior crise econômica em décadas. 

Inadimplente desde março, o país está muito interessado em novas explorações. As autoridades têm esperança de fazer uma descoberta que tornaria mais fácil resgatar a economia e responder às necessidades de energia do país. /AFP

 

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