Líbano fará frente a qualquer violação do cessar-fogo, avisa ministro

O ministro da Defesa libanês, Elias Murr, afirmou neste domingo que seu país está determinado a enfrentar qualquer violação do cessar-fogo, que entrou em vigor no último dia 14, além de garantir que "os culpados serão julgados".Em entrevista coletiva em Beirute, Murr disse que "qualquer disparo de projéteis" do território libanês rumo a Israel, o que pode ser utilizado pelo Estado judeu como pretexto para "atacar o Líbano, será tratado com a maior severidade e considerado como um ato de colaboração direta com o inimigo". Seu autor, acrescentou, será "detido e levado a um tribunal militar".O ministro reiterou que Beirute está determinado a aplicar a resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, que estabeleceu uma trégua entre Israel e Hezbollah."Devemos aproveitar a unanimidade internacional a respeito desta resolução para reforçar nosso Exército" e para estender a autoridade do Estado a todo o território libanês, em alusão ao sul do país, sob controle dos milicianos xiitas.Sobre o desarmamento do Hezbollah, Murr assinalou que "é preciso aplicar a resolução 1701 desde seu princípio e não de seu final"."Quando o Exército estiver bem equipado e puder defender a pátria, a resistência (Hezbollah) não se oporá", acrescentou.Murr também desmentiu que as armas do Hezbollah sejam iranianas ou sírias, e afirmou que "são libanesas".Sobre a Força Interina da ONU para o Líbano (Finul), Murr disse que, antes de pedir à comunidade internacional que envie soldados ao sul libanês, "o Exército do Líbano tem que assentar sua autoridade em todas as áreas onde se posicionará"."O papel principal é do Exército e a Finul é uma força de apoio", explicou.O ministro também afirmou que não teme pelo Exército devido ao fato de "estar formado por pessoas de todas as seitas religiosas e de todas as regiões libanesas". Ele garantiu que "não há problemas sectários" nas Forças Armadas.As declarações do ministro da Defesa ocorrem após a operação militar lançada no sábado por um comando israelense no vale do Bekaa, no leste libanês, e que foi considerada por Beirute uma violação do cessar-fogo.Murr ameaçou no sábado "modificar os planos do posicionamento do Exército libanês no sul do país", que começou na quinta-feira, e exigiu que a ONU dê "uma explicação" sobre a operação israelense no Bekaa.

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