Líbano pede auxílio da ONU pra resolver crise com Israel

O governo de Beirute pediu nesta sexta-feira ao Conselho de Segurança da ONU (CS) que atue para estabelecer um cessar-fogo e pôr fim ao bloqueio aéreo e marítimo imposto ao Líbano por Israel.Em reunião aberta, com caráter urgente, os membros do CS debateram a situação no Líbano após a captura de dois soldados israelenses por parte das milícias do Hisbolá e os bombardeios de Israel contra infra-estruturas civis libanesas, que causaram 50 mortes.O resultado da sessão foi uma breve declaração à imprensa, na qual os 15 membros do Conselho expressam seu apoio à missão política enviada à região pelo secretário-geral, Kofi Annan, para resolver a crise.O presidente rotativo do Conselho, o embaixador francês Jean-Marc de la Sablière, instou a "todas as partes envolvidas a cooperar plenamente" com a missão da ONU e expressou sua esperança de que se alcance um cessar-fogo.Durante a reunião, o embaixador do Líbano na ONU, Nouhad Mahmoud, qualificou as ações de Israel de "agressões, que violam todas as resoluções, leis e convenções internacionais", e desvinculou seu país dos ataques das guerrilhas do Hisbolá.Para frear a escalada de violência, Mahmoud pediu ao CS que tome uma decisão "clara" que permita "estabelecer um cessar-fogo e acabar o bloqueio aéreo e marítimo imposto ao Líbano".DemocraciaMahmoud afirmou que as ações de Israel "dificultam os esforços para consolidar a democracia, já que menosprezam a soberania do Líbano e as tentativas de exercer a autoridade em todo o território".Por isso, o embaixador pediu à comunidade internacional que aborde de forma imediata e ampla a crise atual na Linha Azul, suas conseqüências e suas causas.O embaixador libanês lembrou que Israel foi omisso aos pedidos do Governo libanês de negociar por meio da ONU e outras partes envolvidas na busca de uma saída para a crise."São evidentes as intenções dos israelenses de aumentar a tensão e continuar matando e destruindo com a política abrasiva pela qual são conhecidos", indicou o embaixador libanês.AtaquesO Exército de Israel segue seus ataques contrainfra-estruturas no Líbano, com o objetivo de impedir atransferência a outro país de seus soldados capturados.O embaixador de Israel, Dan Gillerman, justificou as ações de seu país como respostas aos ataques continuados do Hisbolá, que atua do Líbano contra o território israelense, e lamentou que os civis libaneses tenham que pagar o preço pela "inação" e "inaptidão" de seu Governo."A ação de Israel é em resposta à declaração de guerra doLíbano", afirmou.Gillerman ressaltou que o governo de Beirute perdeu numerosas oportunidades no passado de reabilitar e exercer autoridade em todo o país, depois que Israel se retirou do sul do Líbano em maio de 2000."Em seu lugar, deixaram que a região do sul do Líbano fosse ocupada pelo terrorismo", assinalou.Gillerman lembrou que o desarmamento das milícias do Hisbolá é uma obrigação internacional estabelecida na resolução 1559, adotada em setembro de 2004.O embaixador israelense também arremeteu contra a Síria e o Irã, por considerar que estão por trás das ações do Hisbolá."O Líbano está ocupado pelo terrorismo, no sul atacam Israel, e em Beirute, os ex-primeiros-ministros", assinalou o diplomata em referência a Rafik Hariri, que foi assassinado em fevereiro de 2004.ONUNa reunião do CS, o subsecretário para Operações de Manutenção da Paz da ONU, Jean-Marie Guéhenno, fez um repasse dos eventos que conduziram à atual crise. O conflito começou na quarta-feira, quando as milícias xiitas do Hisbolá lançaram vários foguetes contra posições do Exército de Israel, através da Linha Azul, e depois cruzaram esta fronteira - estabelecida pela ONU - para capturar dois soldados israelenses.Como resposta, as forças aéreas israelenses atacaram posições do Hisbolá no Líbano, entre elas o aeroporto.As supervisão da Linha Azul por parte da missão da ONU no Líbano (Unifil) ficou limitada, disse Guéhenno, e pediu às partes que exerçam moderação e permitam a entrada de ajuda humanitária.Por sua parte, o subsecretário-geral para Assuntos Políticos da ONU, Ibrahim Gambari, mostrou sua esperança de que a missão mediadora enviada pelo secretário-geral, Kofi Annan, liderada por seu assessor especial Vijay Nambiar, contribua para acalmar a situação."Farão uma chamada pela libertação dos soldados capturados, para que as partes exerçam moderação e para que estabeleçam um cessar-fogo", assinalou.

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