Líbano pede que minuta de resolução seja reconsiderada

O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, disse hoje que o Líbano rejeita a minuta de resolução apresentada ao Conselho de Segurança das Nações Unidas e pediu que alguns de seus aspectos "sejam reconsiderados". Ele avalia que aceitar esta minuta de resolução significaria que as tropas israelenses poderiam continuar ocupando as áreas que estão ocupadas atualmente. "Todo o Líbano rejeita a minuta de resolução e exige que seja reconsiderada para harmonizá-la com o plano de sete pontos aprovado pelo Governo libanês e todas as suas comunidades", disse Berri em entrevista coletiva em Beirute.A minuta de resolução é o resultado do acordo fechado neste sábado entre Estados Unidos e França sobre uma resolução do Conselho de Segurança da ONU para colocar um fim nos combates entre Israel e o Hezbollah, no Líbano. Os dois países fazem a mediação com as partes em conflito: os EUA, com Israel, e a França com o Líbano (o Hezbollah aceitou ser representado pelo governo libanês, do qual faz parte).O Líbano oficializou neste domingo sua exigência para que seja incluída no projeto de resolução acertado no sábado entre França e EUA a exigência de uma retirada imediata das tropas israelenses de seu território. A proposta de emenda foi apresentada hoje pelo embaixador libanês na ONU, Nouhad Mahmud, durante uma reunião de especialistas do Conselho de Segurança. Ele também pediu que a força internacional que será enviada ao sul do Líbano entregue o controle da zona fronteiriça às Forças Armadas libanesas 72 horas após uma trégua.Além disso, Berri pediu aos ministros de Exteriores da Liga Árabe, que se reunirão na segunda-feira na capital libanesa, que "rejeitem" a minuta de resolução, que descreveu como "um retorno" do país "à situação de antes de 24 de maio de 2000", data da retirada israelense do sul do Líbano.Do outro lado, as autoridades israelenses debatem a proposta franco-americana. De acordo com o ministro de Turismo, o trabalhista Yitzhak Herzog, o Governo israelense "analisará com cuidado e profundidade a proposta e depois responderá", afirmou hoje. Herzog considera o plano "um novo passo no processo político que parece estar na última fase deste conflito".O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, pediu a seus ministros que não façam avaliações positivas a respeito do projeto de resolução da ONU sobre um cessar-fogo no Líbano, pois a proposta ainda é apenas uma minuta. Olmert insistiu em que não é momento para "lançar uma campanha pública sobre este assunto", e lembrou uma expressão israelense equivalente a "em boca fechada não entra mosca".Acusações à FrançaO presidente do Parlamento do Líbano, que também é líder do partido Amal, acusou a França de defender agora o "fim das hostilidades militares", e não mais um "cessar-fogo imediato". "Até a linguagem em que a minuta da resolução está escrita é contrária aos interesses libaneses", acrescentou Berri.Mas a França já se comprometeu neste sábado a analisar as reivindicações libanesas de mudanças no projeto de resolução apresentado. "A França é muito sensível às preocupações libanesas, mas também é muito consciente da realidade do confronto". O país também sabe que "sempre é preciso que haja dois" para que um acordo seja firmado, disse o ministro de Exteriores francês, Philippe Douste-Blazy, à emissora "France Info".O responsável libanês fez questão de afirmar que as opiniões que expressou são as de todos os libaneses e não exclusivas de um grupo ou confissão. O presidente do Parlamento qualificou de "surpreendente" a minuta de resolução, já que não pede a retirada das tropas de ocupação israelenses.Além disso, Berri afirmou que a resolução não esclarece qual seria a composição da força multinacional que deve ser mobilizada entre Israel e Líbano. "Não sabemos com exatidão se esta força internacional será mobilizada sob mandato das Nações Unidas ou da Otan", ressaltou, antes de lembrar que "a criação de tal força sob o capítulo sete da Carta das Nações Unidas possibilitaria o uso da força em sua missão".O ministro francês reconhece as dificuldades do acordo e argumenta que um fim das hostilidades é "muito urgente, mas só será obtido com o consenso dos quinze membros do Conselho de Segurança". Douste-Blazy expressou a esperança de que "a unanimidade" dos membros do Conselho seja obtida "o mais rápido possível", porque "a intensificação dos combates" não pode continuar.DecepçãoAs declarações de Berri mostram a decepção do Governo libanês com o projeto de resolução que começou a ser discutido no sábado à noite pelo Conselho de Segurança. "Se Israel não atingiu seus objetivos por meios militares, por que devemos dar a ele a oportunidade de conseguir seus fins por meios políticos", perguntou o responsável libanês.Berri também criticou o fato de que a minuta não prevê a retirada israelense das Fazendas de Chebaa, ocupadas por Israel e que, segundo Tel Aviv e a ONU, é território sírio, embora Beirute também o reivindique.Matéria alterada às 17h59 para acréscimo de informações

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