Líbano prepara invasão de campo de refugiados palestinos

Desde abril, conflito entre Exército e militantes islâmicos já matou 205

Nazih Saddiq, da Reuters

11 Julho 2007 | 11h01

Cerca de 160 palestinos fugiram nesta quarta-feira, 11, de um campo de refugiados no norte do Líbano, onde o Exército libanês prepara uma ofensiva final contra militantes islâmicos entrincheirados no local. Os combates entre os militares e o grupo Fatah Al-Islam, que se inspira na Al-Qaeda, já duram quase oito semanas e mataram 205 pessoas. É a pior onda de violência interna no Líbano desde a guerra civil de 1975-90. Em junho, o Exército ocupou todas as posições dos militantes nos arredores do campo, mas evitou invadir seus limites oficiais, já que um acordo árabe de 1969 proíbe a entrada das forças libanesas nos campos de refugiados palestinos. O acordo foi anulado na década de 1980 pelo Parlamento libanês, mas, na prática, segue em vigor. Na terça-feira, um soldado foi morto por um franco-atirador. Desde o início dos combates, em 20 de maio, já houve pelo menos 87 soldados, 75 militantes e 43 civis mortos. Fontes disseram que o Exército reforçou seu contingente na área e deve usar helicópteros e barcos em um eventual ataque ao campo litorâneo. De acordo com fontes palestinas, os últimos civis do campo já estão saindo, junto com representantes locais do grupo laico Fatah e de outras facções da Organização para a Libertação da Palestina. A maioria dos 40 mil habitantes de Nahr Al-Bared deixou o campo nos primeiros dias de combate, mas alguns milhares permaneceram. O governo libanês diz que a Fatah Al-Islam é uma ferramenta da inteligência síria, uma acusação que Damasco e o grupo negam. As autoridades responsabilizaram o grupo pela explosão de dois ônibus em uma área cristã perto de Beirute, em fevereiro, que matou três civis. Investigadores também citam a facção pelo assassinato de um ministro cristão e anti-sírio do governo libanês em novembro.

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