Líbano reforça medidas de segurança por temor de confrontos

Milhares de soldados e policiais reforçaram as medidas de segurança em Beirute horas antes dosprotestos convocados pela oposição pró-Síria para derrubar o governo de Fouad Siniora. Os militares, apoiados por tanques e veículos blindados, foram posicionados no centro de Beirute, onde estão previstas manifestações e protestos simbólicos, assim como em pontos nevrálgicos da capital para prevenir possíveis incidentes. Desde o início da manhã, militares pediam, por meio de alto-falantes, à população que retirasse seus veículos de algumas áreas que levam ao centro da capital para evitar qualquer possibilidade de atentado. Vários veículos blindados se encontram nos arredores da sede do governo. A oposição pró-Síria, liderada pelo secretário-geral do Hezbollah, o xeque Hassan Nasrallah, e o líder da Corrente Patriótica Livre, o general Michel Aoun, pediu a seus partidários para protestarem e se manifestarem sentando-se todos, num ato "simbólico ininterrupto",a partir das 15h (11h de Brasília), até derrubar o governo, que consideram pró-ocidental. Teme-se que esta manifestação possa ser problemática, já que a tensão é muito grande entre os partidários dos campos adversários. Na quinta-feira, depois dos discursos de Nasrallah e do primeiro-ministro Fouad Siniora, no qual acusou a oposição de atuar contra a democracia, foram ouvidos disparos para o ar nos bairros onde cada um deles tem seus seguidores. Alguns jornais locais assinalam nesta sexta-feira que uma disputa aconteceu entre xiitas e sunitas em alguns bairros de Beirute, sem dar mais informações. A oposição acusa a maioria parlamentar anti-Síria de monopolizar o poder, e estima que os protestos são o único meio para mudar esta situação. A maioria parlamentar acusa a oposição de tentar impedir por todos os meios a criação de um tribunal especial para o Líbano para que julgue os assassinatos politicamente motivados. Em entrevista coletiva, o líder druso Walid Jumblatt, um dos pilares das Forças do 14 de Março (coalizão anti-Síria), acusou Damasco e "alguns" de seus aliados no Líbano de "agir por todos os meios ao seu alcance" para fazer o governo cair. "Trata-se de uma tentativa de golpe de Estado, mas nós permaneceremos inquebrantáveis", acrescentou Jumblatt, reiterando ochamado de ontem à noite de Siniora para que as bandeiras libanesas sejam içadas nas casas, junto ao sinal distintivo da maioria, a fita branca e vermelha.

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