Christopher Furlong / AFP
Christopher Furlong / AFP

Liberais democratas ameaçam cancelar Brexit caso eleitos

Partido começou a fazer campanha por novas eleições com promessa de cancelar o Artigo 50, que rege a saída da UE

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2019 | 06h25

LONDRES - O partido britânico Liberal Democrata decidiu adotar formalmente uma política para interromper a saída do Reino Unido da União Europeia caso vença a eleição geral. O partido detém apenas 18 cadeiras no Parlamento britânico, de um total de 650 lugares, mas com a divisão política no país seu posicionamento pode ser decisivo.

Segundo o plano aprovado no domingo. 15, os Liberais Democratas ainda apoiariam um segundo referendo do Brexit com uma opção de permanência. Mas, se houver uma eleição antecipada, vão fazer campanha pela revogação do Artigo 50, que foi acionado após o primeiro referendo e define os termos da saída do Reino Unido da União Europeia.

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Apesar de ser um partido minoritário, os Lib Dems, como são conhecidos, ganharam visibilidade nas últimas semanas porque cinco dos 21 deputados expulsos do Partido Conservador (por se rebelarem e não apoiarem as medidas do premiê Boris Johnson) se filiaram ao partido. Os liberais democratas dizem que são o único partido que defende a interrupção do Brexit, esperando conseguir votos entre as 16 milhões de pessoas que votaram pela manutenção da Inglaterra no bloco de países, em 2016.

“Vamos pôr um fim ao pesadelo do Brexit, que está afundando o país e nos dividindo, e começaremos a lidar com as questões pelas quais as pessoas decidiram votar pela saída do país do bloco”, disse o porta-voz do partido para as questões do Brexit, Tom Brake.

Hulk

Ainda no domingo, Boris Johnson garantiu, em entrevista, que houve “enormes avanços” para se chegar a um acordo com a União Europeia e comparou o Reino Unido ao Incrível Hulk. “Quanto mais o Hulk se irrita, mais forte fica e sempre escapa, embora pareça estar fortemente preso, como é o caso deste país. Sairemos em 31 de outubro, acreditem em mim”, disse Johnson.

O premiê britânico voltou a afirmar que vai retirar o Reino Unido da União Europeia no prazo previsto. “Quando cheguei a este cargo, todo mundo dizia que não era possível nenhuma mudança no acordo de saída”, disse o primeiro-ministro ao jornal The Mail on Sunday. “Mas os dirigentes da UE mudaram de parecer e há uma conversa muito boa em curso sobre como abordar as questões da fronteira norte-irlandesa.”

A fronteira entre a província britânica da Irlanda do Norte e a República da Irlanda é o principal entrave nos diálogos sobre o Brexit. Pensada para evitar a reinstauração de uma fronteira física entre os dois territórios, a chamada “salvaguarda irlandesa” levanta polêmica porque pode mexer com os acordos de paz que puseram fim à guerra civil entre as Irlandas. / AP e AFP

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